Por Rafael - Tecnologia & Cinema - Artigos e Ensaios - 07 de julho Por estes dias andei assistindo alguns filmes. Escrevi sobre alguns deles. Abaixo segue uma rápida análise sobre a direção de atores de dois filmes belíssimos:
Crash - No Limite (Crash, dir.: Paul Haggis – EUA, 2004). ) e Amor à flor da pele (In The Mood For Love, dir.: Wong Kar Wai – China, 2000 )
Em Amor à flor da pele, observamos uma direção de atores mais disciplinada, rígida, em relação à narrativa. Para Kar Wai, é fundamental a movimentação perfeita dos personagens, seus encontros e desencontros, seu jogo de olhares e gestos. Tudo isso dentro de planos quase sempre estáticos. É importante passar a impressão ao espectador que tudo é feito às escondidas, afinal eles são casados. Uma forma bem curiosa, senão oportuna, é a filmagem distanciada, através de portas, em ambientes apertados etc. O improviso tem pouco espaço em obras como esta de Kar Wai, por isso a necessidade de um controle rígido da marcação de espaços, movimentação e expressões dos protagonistas. Outra coisa interessante reside no fato de que, em nenhum momento, vemos os rostos dos respectivos personagens que estão tendo um caso e que são os cônjuges dos protagonistas. No máximo uma voz e alguém de costas, mas sempre em pequena escala. Eles são “personagens fantasmas” no filme e isso obriga ao espectador construir mentalmente estes “fantasmas”. Nisso entra mais uma vez o ótimo trabalho do casal protagonista, que precisa ajudar o espectador a construir esta imagem, seja através de informações referentes a eles seja através de simulações de situações que poderiam acontecer.
Já em Crash – No limite, temos algo um pouco diferente. Podemos notar uma maior liberdade de ação para o elenco. Ao contrário de Amor à flor da pele, onde a trama volta-se basicamente para dois personagens e seus respectivos cônjuges, Crash possui vários personagens elementares para a história e que, ao longo do filme, serão trabalhados de forma a criarmos fortes identificações. Essa construção dos personagens se dará de forma intensa e bastante clara, em oposição às sutilezas do filme chinês. O uso de muitos exteriores, interiores amplos, a carga excessiva de dramaticidade entre outros, abrem espaço para atuações de improviso, mas intensas.
Portanto, Crash e Amor à flor da pele, apesar de tratar de temas completamente diferentes e trazer certas diferenças em estilo narrativo, possuem uma coisa em comum: a direção de atores como elemento base para uma boa construção narrativa.
Prezados, vocês, que assistiram a um dos filmes, concordam com a análise? Se não, comentem sobre as ponderações sobre direção de atores que o articulista fez.