Este é o Blog da turma da disciplina Direção de Atores, do curso de Cinema e Video do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte/MG. A partir de notícias, vamos debater a interpretação dos atores e atrizes.
Os comentários devem trazer observações pertinentes.
Cada comentário valerá 2 pts. até 15 dias após o post. Após isso, ainda serão válidos, mas valerão apenas 1 pt.
São 10 pts por bimestre, não valendo após o seu encerramento.
Aqui também estarão os trabalhos de classe. Fique atenta(o)!
Há
uma certa ideia de que a dramaturgia na televisão deva ser naturalista.
Isto é, que os atores devam representar da forma mais próxima possível
da vida real, sem grandes arroubos emocionais, sem exageros na
gestualidade ou na expressão corporal. Clandestinos - O Sonho Começou,
série escrita e dirigida por João Falcão que, desde a semana retrasada, a
Globo exibe, reduz a poeira esta concepção.
Como
a televisão trabalha muito com planos fechados e closes, faz sentido
pensar que a ênfase dramática do teatro - visto de longe por dezenas de
pessoas - tenha de ser abrandada. E, já que na TV a maior parte do corpo
desaparece na maioria das cenas, a expressão corporal precisa ser mais
leve.
Daí as cenas televisivas serem
bastante estáticas - à exceção das externas de ação. E, por isso mesmo,
há tantas cenas à mesa em novelas. Mesmo o mais miserável dos
personagens toma café da manhã de hotel cinco estrelas. Com todo mundo
em volta de uma mesa de cozinha, a movimentação fica reduzida e os
diálogos podem transcorrer sem maiores problemas de deslocamento de
câmeras e de enquadramentos.
Clandestinos é
a história de jovens interessados em participar de uma peça teatral e
que se submetem a um teste classificatório implacavelmente curto. Pelo
tema, que permite planos gerais que exibem todo o corpo dos personagens
no palco e pela faixa etária dos atores em papéis de jovens, é possível
uma atuação mais carregada. O que, em outros contextos, tornaria-se
"overacting".
A presença de novos atores,
formados por uma escola tão diferente das oficinas de atores de TV,
também imprime diferenças na maneira de ser e de agir destes 17 novos
talentos, entre eles, as gêmeas Giselle e Michelle Batista.
João
Falcão reconta essa velha história do teatro, a do aprendiz e seu sonho
de reconhecimento e estrelato, que pode ser encontrada em peças famosas
como Odeio Hamlet, e filmes conhecidos e tão diferentes entre si quanto
Cantando na Chuva e Fama. E até mesmo o programa de TV Ídolos.
De
certa forma, Clandestinos retoma para a ficção o que o reality show
havia roubado: o retrato do artista quando jovem, sua intensidade
emocional e a explosão, em poucos minutos, do esforço da formação, da
vivência e da paixão de um ator. Em recente depoimento, o ator Diogo
Vilela reiterava que o teatro não é uma imitação da vida, mas
matéria-prima feita na hora. Algo dessa força vital acaba de ir para TV.
Prezadas
e Prezados, dêem suas impressões ao ler a
notícia e sua opinião sobre a questão da 'naturalidade' da
TV.
Por Livia Deodato - Revista Época - Ed. 586 - 08/08/2009
O novo filme de Steven Soderbergh anuncia as Confissões de uma garota de programa.
Não há, no entanto, uma única cena de sexo. “Não foi proposital. Eu
não tinha ideia de onde esse filme iria nos levar. Esperei para ver
como ele se desenvolveria por si só”, diz em entrevista a ÉPOCA, por
telefone, de Los Angeles.
Se um tema inicial foi pensado pelo
diretor, o rumo tomado no longa foi quase que totalmente conduzido
pelas experiências reais dos atores. Ou melhor, amadores. Mais uma vez,
Soderbergh preferiu trabalhar com profissionais da vida – e não dos
sets: Sasha Grey é estrela pornô e foi escolhida para viver a
protagonista, Chelsea, e Chris Santos é um dedicado personal trainer no
filme... e no mundo lá fora. Foi o que David Levien, um dos roteiristas
de Confissões e aluno de Santos, garantiu a Soderbergh.
“David o convidou para uma conversa comigo, e, quando o vi, pensei:
‘Ele é perfeito para o papel’.”
Sasha foi encontrada por meio de um artigo na Los Angeles Magazine,
lido pelo diretor há três anos. “A forma como ela se expressava, as
palavras que ela dizia... Tudo fugia dos clichês de uma garota de
programa”, diz Soderbergh. “Ela é tão ambiciosa quanto a personagem.”
Não
houve ensaios para o filme, que retrata o dia a dia de uma prostituta
de luxo. Foram somente 16 dias de filmagem sob o pedido: “Ajam como se
não existissem câmeras”. Tudo na base do improviso. Soderbergh conta
que são necessários pequenos truques para alcançar a naturalidade
pretendida, como usar microfones por wireless, uma equipe enxuta e a
liberdade de criação de cada um. “Deixei claro que gostaria de vê-los
atuando como se estivessem vivendo. Não existia certo ou errado.”
A
maioria das cenas foi filmada em apenas um take, o que explica o veloz
processo de filmagem. A abordagem de temas como crise financeira e
eleição americana foi espontânea, dado o mês de outubro de 2008. Um
momento impagável é quando um cliente judeu tenta persuadir Chelsea a
votar em McCain enquanto se despe, porque “o Estado de Israel não pode
acabar”. Tudo foi natural, diz o diretor. “O momento financeiro era e
ainda é crítico no país, e todos só queriam falar sobre dinheiro. Que é
justamente do que trata todo o filme.”
Caramba, vai contra o que estamos discutindo nas aulas? O que vocês acham desse método?
Como último estudo dirigido, favor ler o texto "Como não ser ator", de Emílio Fraia, disponível no SOL, no Material Didático, onde o autor analisa o método da diretor de elenco Fátima Toledo (que, entre outros dirigiu os atores em Pixote, Cidade de Deus e Tropa de Elite.
Por favor, leiam o texto e respondam:
1) Em relação a direção de atores, você poderia descrever como pensa Fátima Toledo sobre o tema?
2) Há como fazer algum paralelo com os outros estilos de direção de atores?
3) Se você já assistiu algum(ns) filme(s) da preparadora (Pixote, Cidade de Deus, Tropa de Elite e outros citados no texto), qual a sua opinião sobre a atuação dos atores?
4) Qual a sua opinião pessoal sobre a metodologia utilizada pela preparadora?
Por favor, entreguem impresso no dia 26 de novembro, na sala de aula.
Sem pestanejar, eu afirmo… A Noite das Tríbades
está entre as cinco melhores peças que vi esse ano. Talvez entre as
três. E grande parte do poder dessa comédia dramática escrita pelo sueco
Per Olov Enquist e dirigida por Malú Bazan está nas mãos do ator
Norival Rizzo. Paulistano mais que gente boa, Norival Aparecido Rizzo
tem 62 anos e uma vida que muitas vezes parece ficção. Mas isso já foi
papo de outra matéria
feita por nós lá no mês de maio. Aqui, ele fala do espetáculo, que
volta ao cartaz aos sábados e domingos no Teatro Eva Herz da Livraria
Cultura, comenta a experiência em Sangue Bom, a primeira novela
na Rede Globo, e lança algumas frases que podem fazer muita gente
refletir um pouco. “Aquele ator que deseja se equiparar ao Paulo Autran,
por exemplo, vai ser um grande frustrado”, afirma Rizzo.
É mais difícil interpretar um personagem real, no caso o dramaturgo August Strindberg?
Olha, eu já havia interpretado o Monteiro Lobato em uma peça de 1972,
lá no início da minha carreira. É claro que, para viver o Strindberg,
eu procurei uma bibliografia a respeito dele. Já conhecia e reli algumas
de suas peças. Ainda descobri outras. Mas, pelo menos comigo, não é
assim que funciona um processo de criação. Todos os personagens que faço
carregam o que trago da experiência pessoal. Deposito nesses homens um
pouco da minha vivência, das minhas alegrias, das minhas tristezas e
assim eu os construo. A base é o próprio texto, aquele que foi escrito
por um dramaturgo e que vou seguir a cada noite. Mas a minha ideia é
sempre transformar o personagem no homem mais comum possível, mesmo em
se tratando do Strindberg.
Em que ponto exatamente você buscou a humanização desse personagem?
O que apresentamos é uma história ambientada no século 19, certo? E
pensa bem no que aconteceu com aquele homem… A mulher o deixou por
outra. Se hoje essa situação já é muito complicada para um homem lidar,
então imagina o que isso significava naquele tempo? Por ser um artista,
um intelectual, o Strindberg tentou alimentar um ar de superioridade.
Ele quis mostrar que aquilo não lhe abateu tanto. Então, chama a
ex-mulher e a amante dela, o pivô da separação, para ensaiar uma nova
peça. Não tinha como dar certo. Em qualquer oportunidade, ele já fica
alfinetando as duas. O resultado disso é muito legal. A ironia é o
grande mote desse texto e acho que conseguimos transmitir no espetáculo.
Qual foi o saldo da sua participação na novela Sangue Bom, que acaba de sair do ar?
Foi uma experiência válida para compreender como é que funciona a
televisão. Eu terminei a novela entendendo porque o ritmo e o modo de
trabalho de uma novela precisam ser daquele jeito, mais veloz, menos
ensaiado. Fui muito bem tratado e não posso dizer que fui mal pago.
Conheci um pessoal bem legal. Tanto que alguns dos meus colegas estão se
organizado para ver A Noite das Tríbades aqui em São Paulo.
Você continua aberto para fazer mais novelas?
Sim, claro. Eu passei a valorizar o trabalho de muita gente que não
conhecia e também entendi as limitações de cada ator. A televisão exige
de você outro tipo de talento, quer dizer um talento diferente do que
daqueles que estão acostumados com o palco. E é muito legal entender que
cada ator tem o seu tamanho. E um ator só é bom realmente quando sabe
qual é o seu próprio tamanho.
E qual é o seu tamanho?
Eu não posso querer ser como o Al Pacino ou como o Roberto De Niro.
Eles são muito maiores que a grande parte dos profissionais que
conhecemos. Aquele ator que deseja se equiparar ao Paulo Autran, por
exemplo, vai ser um grande frustrado. Esses caras tiveram outras
vivências e oportunidades. Eu sou o Norival Rizzo e ponto. O que me
importa é dar dignidade ao papel que me confiaram. Em nenhum momento, um
ator pode querer ser mais ou aparecer mais que o personagem. Nesses
casos, tudo fica complicado. A vida é assim. As pessoas não são iguais.
Tem gente que é brilhante e tem gente que serve o café para quem é
brilhante.
(...)
Prezadas e Prezados, Norival Rizzo é um excelente ator em todas as narrativas em que se aventurou-se: TV, propaganda, teatro, cinema, internet. Da fala dele, qual conclusão você arriscaria a dar sobre o trabalho do ator e o papel do diretor nele?
É quase unânime que as séries de TV reúnem hoje o que há de mais
talentoso no setor audiovisual, ao menos no caso americano. E que
mobilizam de forma rara o público de ficção, vide o barulho provocado
pelo final de "Breaking Bad".
Não discordo, já que também me impressionei com o que vi de "Mad Men",
"The Wire", "Roma" e da própria saga de Walter White. Apenas relativizo o
discurso que vê nesses exemplos o fim do cinema como linguagem
relevante.
Na história da arte, toda mudança tecnológica/de suporte deixa para trás
elementos suficientemente peculiares para terem seu valor reconhecido e
cultivado. O teatro foi em tudo substituído por câmeras que registram
cenas, menos na intensidade que um palco pode oferecer --a presença
física dos atores, a intimidade da sala, a sensação de que aquilo nunca
mais se repetirá daquela forma e naquelas circunstâncias.
Dizem que a superioridade atual de "Breaking Bad" e congêneres é
temática, porque Hollywood teria perdido a coragem de tratar
determinados assuntos com determinados enfoques. Pode ser, mas o mundo
não é só Hollywood e a arte narrativa não é feita só de enredo.
Minha impressão é que o cinema sobreviverá menos por atributos técnicos,
da textura da imagem em película ao som e tamanho de tela, cujos
efeitos já são ou logo serão reproduzíveis em ambiente doméstico, do que
por uma certa liberdade que seu formato permite.
Ironicamente, é uma liberdade que começa com uma limitação: o tempo que
dura um longa-metragem. Numa série, o que está em jogo é a eficiência.
As coisas precisam andar para a frente, jogando iscas para que o
espectador mantenha o interesse por várias temporadas ou maratonas de
episódios.
Há um investimento alto na trama, o que um filme não precisa ter. O
espectador está ali por algo como duas horas, e o diretor pode manejar a
disponibilidade fazendo a história ter pontos mortos, contemplativos,
durante os quais são digeridas informações e sensações vindas das
sequências mais movimentadas.
Pode também fazer desses pontos a essência de sua obra. A duração menor
de um filme permite testar a paciência e capacidade de concentração do
público. Imaginem algumas das sinopses de títulos da Mostra de São
Paulo, em cartaz agora na cidade, aplicadas a uma série que, como "Os
Sopranos", durou nove anos.
(Exemplo tirado do site do festival: "Fata Morgana", Áustria, 2012, é
sobre dois amantes que "falam devagar, calmamente, procurando as
palavras certas para seus demônios interiores", e "tudo se resume à
impossibilidade de entender a si próprio, que dirá o outro").
O que parece até charmoso de tão árido, integrando o folclore clássico
de piadas com o cinema de arte, é o que faz do longa uma plataforma de
experimentação e diversidade. Até em termos comerciais. É mais provável
um sujeito do Uzbequistão financiar seu pequeno filme mudo sobre
camundongos do que alguém conseguir algo parecido numa série da HBO ou
da Sony.
Mesmo em "filmes de enredo", gosto de saber que existe um ponto final
próximo. Vi a primeira temporada de "House of Cards", tenho uma ideia
razoável de quem é o (bom) personagem de Kevin Spacey e para onde ele
vai, mas nada garante que eu esteja certo. Para tirar a prova,
precisarei investir dezenas de horas acompanhando cada trama paralela
conduzida por cada diretor convidado.
A série é tão espetacular assim que valha o esforço, numa época em que
se tem pouco tempo para ler, procrastinar trabalho, xingar os outros na
internet? Tão melhor que um filme cujo argumento e condução são
semelhantes, como "Ides of March", de George Clooney, e que me exigiu
apenas uma caminhada distraída até a Augusta --durante a qual pensei no
ser e no nada-- e um pacote de M&M's?
Por precisar dar o ponto final, uma visão de mundo que seguirá
repercutindo na memória e imaginação do espectador, o cinema busca
conduzir trama, personagens, ambientação e sentidos de forma mais
intensa e concentrada. É um desafio que, quando respondido à altura, nos
dá a ilusão maravilhosa de conhecer um universo ou uma biografia
completa num período tão curto.
Tal concentração se opõe ao caráter folhetinesco das séries de modo
análogo ao que a literatura moderna, lançando mão de atributos diversos,
usou para se opor ao próprio e anterior caráter folhetinesco. Que era
majoritário no século 19 e, outra ironia, começou a morrer quando
surgiram os filmes.
Prezadas e Prezados, esse texto foi distribuído pelo Prof. Sávio e gostaria de ler as opiniões de vocês sobre o impacto do que o articulista diz sobre a direção de atores.
Três anos após seu último trabalho cinematográfico, o filme "Boca",
Daniel de Oliveira está novamente em evidência na série "Latitudes"
--projeto "transmídia" do diretor Felipe Braga, com versões na internet,
TV e cinema.
Em breve, o ator vai aparecer ainda mais. Ele acaba de voltar de uma
temporada de dois meses em Belém (PA) e nas ilhas próximas à cidade,
onde gravou "Orfãos do Eldorado", adaptação cinematográfica da obra
homônima do amazonense Milton Hatoum. Também está nos planos a série
"Doce de Mãe", com direção de Jorge Furtado e Fernanda Montenegro como
protagonista.
No longa de Guilherme Coelho, que também tem Dira Paes e Mariana Rios
no elenco, Daniel encarnará o protagonista, o anti-herói Arminto
Cordovil, um herdeiro de antigos barões da borracha que é expulso de sua
cidade após viver uma relação incestuosa com a irmã.
Já em processo de edição, o filme deve estrear no final do ano que vem. Veja a entrevista concedida pelo ator ao UOL.
Como foi sair do eixo Rio-São Paulo e filmar "Órfãos do Eldorado" no Pará?
Foi maravilhoso. Para começar, eu fui de carro para lá. Do Rio até
Belém. Foram seis dias de estrada, com dois amigos, passando por Bonito,
Chapada dos Veadeiros, na Belém-Brasília. Muito legal. Já fui levando o
personagem comigo, embuído da história. Fomos filmando e fotografando
tudo. Foi uma experiência muito rica. Fizemos uma preparação para fazer
um filme bonito para caramba, com participação do Milton Hatoum.
O que esse tipo de experiência acrescenta a você como ator?
Acrescentou muita coisa. Na verdade foi um filme muito louco, porque a
gente não começou filmando do começo. Eu estava com uma barba enorme, e
tinha que aproveitar a barba para marcar as fases do personagem, que
passa por várias. Usamos todo um sistema para o envelhecimento da minha
pele, de transformação física do personagem, o que influenciou no
comportamento também. Acho que foi rico. O personagem do roteiro era uma
coisa, e a gente viu que, na prática, havia outras nuances. Aprendi um
pouco também nesse sentido.
O Arminto mistura as concepções clássicas de vilão e mocinho?
Mistura um pouco. Ele é o anti-herói mesmo. Um cara que não é
previsível. É complexo para caramba. Dentro dele, ele aponta para muitos
lados. Ele se transforma em muitos personagens em um só, o que traz
muitas possibilidades para a atuação.
A série "Latitudes" está chegando ao fim na internet nesta semana, como surgiu a ideia?
Foi uma ideia que tivemos em conjunto, o Felipe e a Alice Braga, de
mostrarmos a evolução de um relacionamento a partir de encontros em
várias cidades do mundo. O casal vai resolver assim seus problemas de
relacionamento, se conhecendo um pouco mais. Foi incrível.
Primeiramente, a gente viajou para caramba, e isso é muito bom. E atuar
com a Alice Braga foi excelente. Tinha vontade há muito tempo de
contracenar com ela. Tivemos que pensar em logística, no descolamento, o
que foi difícil, pois fazíamos várias funções de produção.
No ano passado, você se separou da atriz Vanessa Giácomo,
depois de oito anos. Isso te fez enxergar o relacionamento do personagem
de alguma outra forma?
Acho que sim. Até porque a gente vai aprendendo muito ao longo da vida,
com todas as experiências. A gente aprende muito com as histórias que a
gente faz como ator, e também com o que a gente vive na vida real.
Somos sempre mutantes. Cada experiência ajuda a alterar nossas visões de
mundo.
(...) Prezada(o)s, comentem o processo de criação, construção, desenvolvimento e, ao final, o resultado da interpretação de Daniel de Oliveira
Façam a leitura do texto "O
Cinema e as metas de Brecht: uma análise de Terra em Transe e Os Inconfidentes"
(no Material Didático do SOL), e responda as seguintes perguntas:
1)
Como um ator/atriz pode exercer um “domínio da realidade em oposição a
noção crua de realismo ou a ideia de reflexo da realidade” como propõe a
autora referendando-se a Brecht?
2) Como causar, pela interpretação
e/ou direção dos atores, essa atitude reflexiva do espectador almejada por
Brecht?
3) A partir dos exemplos citados no texto, quais os recursos
técnicos e estéticos utilizados na interpretação dos atores que
caracterizariam o distanciamento brechtniano?
4) Faça um comparativo,
no que tange a interpretação de atores, entre a interpretação inspirada nos
distanciamentos brechtnianos e n’O Método de Stanislavki.
Por favor,
responda, imprima e entreguem no dia 8/10. Não aceitarei via e-mail, ok? Valor:
5 pontos.
Neste dia, vamos assistir "Terra em Transe", de Glauber
Rocha, um admirador de Brecht. Para que melhor possamos usufruir do filme, nossa
aula, então, neste dia 8, acontecerá no Auditório 2, no segundo andar, do
campus Aymorés, no mesmo horário de 7:35. Em seguida, no mesmo local, faremos
a aula/debate conjunta com o Prof. Ataídes e seus alunos no horário programado
para as aulas de Tidir. Será a última vez que acontecerá essa aula dupla de
Direção de Atores. Nos dias 22 de outubro e 5 de novembro, haverá a
reposição das aulas de TIDIR nos horários originais de Direção dos
Atores.
Com isso, também fica adiada para o dia 29 de outubro a
apresentação das esquetes.
O filme Terra em Transe também estará em
cartaz no Cine Repertório, no dia 7, às 19 horas, no mesmo local. Caso você
queira assistir neste dia e horário, poderá vir apenas para a segunda parte da
aula conjunta.
Desenvolver os textos de apoio para o/a ator/atriz e diretor/diretora para:
1) Esquete: textos definitivos
2) TIDIR: textos preliminares
Fazer um conjunto de texto de apoio (um conjunto para cada: esquete e TIDIR), entre duas e três páginas, com um estudo das personagens principais a partir dos aspectos sugeridos por Walter Lima Jr (apud: GERBASE, 2007, p.18):
1: Aspectos Físicos 2: Aspectos Sociais/Demográficos 3: Aspectos Psicológicos 4: Relações Pessoais e Reações Sociais 5: Biografia Prazo de entrega até dia 08/10. Bom trabalho.
A televisão colombiana tem capitalizado diante das boas
apresentações da seleção local, que está a uma vitória de assegurar
presença na Copa do Mundo de 2014. A Caracol TV, uma das principais
emissoras do país, exibe desde julho a novela La Selección, que
conta a história da seleção da Colômbia da década de 90. E além de
colher bons resultados nos índices locais de audiência, garantiu
destaque até mesmo junto à Fifa.
A série se baseia nas histórias dos principais nomes da
equipe na época: René Higuita, Freddy Rincón, Carlos Valderrama e
Faustino Asprilla. O quarteto ajudou a levar a Colômbia às oitavas de
final da Copa do Mundo de 1990, além de ter conquistado a vaga para o
Mundial seguinte de forma invicta com uma histórica vitória por 5 a 0
sobre a Argentina em Buenos Aires. Em 1998, a Colômbia foi para sua
última Copa até hoje.
A Fifa destaca a dificuldade dos atores em interpretar os protagonistas
daquela geração – caso, por exemplo, do ator Edgar Vittorino, que faz o
papel de Valderrama. “Inicialmente, eu recusei a participação, porque eu
não me parecia com ele”, contou Vittorino. “Mas quando eu vi fotos dele
ainda jovem, eu me dei conta de que nos parecíamos, que eu poderia
adotar o mesmo penteado”, completou.
Vittorino contou que chegou a viajar para Barranquilla
para conhecer o ex-jogador, e para a cidade de Santa Marta, onde
conheceu sua família “e aprender tudo sobre ele”. Além disso, foi para a
cidade de Pescaito, onde Valderrama cresceu, “para ajudar a entende-lo e
como foi uma luta difícil para chegar lá”. “Eu também assisti a vários
arquivos, li o máximo que pude a respeito dele, e joguei futebol por
três horas por dia”, explicou.
Os resultados, segundo a Fifa, tem sido “delicioso”. “El
Pibe (apelido de Valderrama) está feliz com meu retrato dele”, diz
Vittorino. “Ele acha que tenho feito um bom trabalho imitando o jeito
que ele anda e como ele age. E os espectadores estão adorando a novela.
As pessoas nas ruas me abraçam e dizem que tenho feito um bom trabalho.
Eles dizem que se sentem como se estivessem vendo El Pibe”, conta.
Prezadas e Prezados, comentem o método que o ator utilizou para buscar a melhor interpretação e qual deve ser o papel do diretor neste contexto.
Por Luís Antônio Giron - Revista Época - Ed. 594 - 02/10/2009
O
ator diz que só se interessa por papéis que fujam do lugar-comum – como
o do aventureiro Percy Fawcett, em um filme que deve trazê-lo ao Brasil
no ano que vem
O ator Brad Pitt, de 45 anos, um dos mais
assediados do mundo por jornalistas de escândalo e paparazzi, tem um
esquema especial para dar entrevistas: fica isolado e quase inacessível.
(...)
ÉPOCA– A arquitetura o ajudou a fazer cinema? Pitt – Sim, principalmente na noção de conjunto e planejamento. Repare em Bastardos inglórios:
é um filme arquitetonicamente concebido, com cinco capítulos
aparentemente dissociados. Só a noção de conjunto pode revelar sua
magia. A composição de um projeto de design ou arquitetura é mais ou
menos a mesma que usamos na produção de um filme ou na criação de um
personagem. É preciso saber exatamente até onde vai o projeto. No caso
de um personagem, é preciso saber se ele se sustenta sozinho (risos).
ÉPOCA– Por que você gosta de personagens excêntricos, como Aldo Raine? Pitt – Não
gosto de fazer o que outros atores fazem. Se é para fazer igual, deixo
que outros façam. Eu me esforço para inovar, ser diferente e buscar
papéis que me envolvam. Não suportaria conviver com um personagem banal,
tipo galã, por dois ou três meses. Gosto de personagens que me
desafiem, que me façam inventar algo, contribuir para a galeria dos
tipos humanos.
ÉPOCA– Você parece lutar contra a imagem de superastro e dos papéis que habitualmente os superastros têm. Isso é consciente? Pitt – Não
sei se luto contra. Na realidade, não tenho paciência para o
lugar-comum. Se me quiserem, é assim que eu sou. Não adianta criar em
cima de mim um galã antigo de cinema, isso, aliás, já passou. Não há
mais espaço para mocinhos no cinema. Tudo mudou, até mesmo Hollywood.
Hoje querem personagens mais complexos.
ÉPOCA– Qual é seu segredo para criar um personagem? Pitt – Não
tenho segredo. Preciso estudar o roteiro, aprovar a história e me
sentir bem com o personagem que vou criar. Em geral, não crio nada, vou é
na cola dos diretores. Não tenho essa pretensão de “construir
personagens”. O bom roteiro traz tudo o que você precisa para
interpretar um papel.
ÉPOCA– Trabalhar com Quentin Tarantino é um processo difícil? Você criou ou improvisou algo? Aquele sotaque de caubói? Pitt – Nada
disso. O Quentin não quer que ninguém improvise. Ele obriga todo mundo a
trabalhar estritamente segundo o roteiro. Eu queria ter improvisado,
mas ele não deixou (risos). Aldo está inteirinho no roteiro, em
cada fala. Porque tudo é milimetricamente projetado nos filmes de
Tarantino. É só seguir.
ÉPOCA– Você riu durante as filmagens? Pitt – O tempo todo! Trabalhei rindo. Meu personagem é muito engraçado, assim como o filme inteiro.
ÉPOCA–
Você trabalhou com muitos outros cineastas visionários, como David
Fincher, Terry Gilliam e Ridley Scott. Você os escolhe ou é escolhido? Pitt – As
duas coisas. Cinema é o resultado do projeto de um diretor. Hoje não há
como um ator tentar impor sua vontade. Os realizadores são os autores.
Daí eu preferir os visionários aos banais. Adorei trabalhar com
Tarantino e sou amigo pessoal e vizinho aqui em Hollywood de David
Fincher, com quem já fiz três filmes. É deles que tudo deve partir,
inclusive as ordens para o elenco. Procuro segui-las o mais fielmente
possível.
ÉPOCA– Não ocorrem atritos? Pitt – Claro, mas nada que não se resolva numa troca de ideias. Procuro mais colaborar que polemizar. Sou um cara pacífico (risos).
ÉPOCA– O que você aprendeu com eles? Pitt – Quase tudo o que sei de cinema aprendi com esses diretores. E cada um traz uma contribuição diferente: Terry (Gilliam)
abriu as portas do improviso e da beleza das formas e cores. David
Fincher me trouxe mundos psíquicos que eu sozinho não poderia imaginar.
Quentin Tarantino me ensinou a não dormir durante as filmagens! Ele me
proibiu de fazer a soneca de 20 minutos depois do almoço, algo sagrado
para mim. Bem, aprendi, mas agora voltei a dormir.
ÉPOCA– O que representou para você interpretar Benjamin Button, além de ter sido indicado ao Oscar pelo papel? Pitt – Foi
um trabalho desafiador e estimulante. David Fincher trabalhou com meu
personagem com vários tipos de máscaras feitas com alta tecnologia. E
assim eu tinha de me render à disciplina técnica de um lado e, de outro,
buscar a verossimilhança em um personagem que rejuvenesce. Mas o que
mais me valeu foi a lição de vida do filme: a gente precisa se divertir,
amar e fazer coisas de que gosta porque a vida é curta.
ÉPOCA– Você ainda tem alguma ambição como ator, o sonho de atuar no palco? Pitt – Atuar
é minha vida, uma das coisas de que mais gosto de fazer. Sinto que
estou construindo algo para que meus filhos continuem a se orgulhar de
mim. Não quero que eles tenham vergonha do que faço. Então me esforço
para pegar papéis bacanas. Ainda tenho muita coisa para trabalhar. Quero
interpretar papéis que venham a fazer diferença. Papéis cada vez mais
ambiciosos, eu diria, se isso não parecesse presunçoso. É engraçado, mas
nunca pensei em trabalhar em teatro. Nem quero. Teatro está fora do que
faço.
ÉPOCA– Por quê? Pitt – Talvez
porque eu não me envolva tanto assim com os personagens como fazem os
atores de teatro, aquela forma visceral não é para mim. Sou mais
sossegado. Gosto de montar o personagem e vê-lo pronto em um filme. É o
suficiente.
ÉPOCA– E como é produzir filmes? Pitt – Fascinante.
É como trabalhar em um projeto. Eu aposto em desafios. E hoje existe
mais oportunidade para quem realiza filmes mais ousados e independentes,
como faz minha produtora.
ÉPOCA– Depois de tantos anos trabalhando no show business, o que ainda o irrita e que aspecto melhorou? Pitt – Nunca
briguei em Hollywood nem entrei em confronto com qualquer estúdio. Isso
porque tenho consciência da necessidade que os estúdios têm de vender
filmes, de conquistar mercados e ganhar público. Então nunca houve de
minha parte nenhuma revolta autoral. Sobre as coisas de que não gostava,
tratei de conversar. Hoje, com a crise econômica, os estúdios estão
mais simpáticos a trabalhos de coprodução. Até porque eles não têm outra
opção. Isso tem dado chance a realizadores mais experimentais.
ÉPOCA– Hollywood nunca aprovou atrevimentos estéticos... Pitt – É
verdade, mas as coisas mudaram. O que está em jogo hoje é o cinema como
mercado. Só a inovação e a experimentação podem salvar a indústria.
Antigamente, os estúdios davam as costas para isso. Agora, apostam em
projetos financeiramente modestos, porém ousados do ponto de vista
artístico. O cinema deverá mudar muito nos próximos dois anos. A gente
vê superproduções de Hollywood inimagináveis há dois anos.
Façam
a leitura do texto "Stanislavski na cena americana", de e responda as seguintes perguntas:
1) O
que os atores norte-americano da velha guarda "viram" nas primeiras
apresentações do teatro russo que os deixaram maravilhados?
2) O
que é o tal "ensamble" que o texto cita?
3) O
texto não esclarece. Portanto, quais seriam as distinções entre a memória
afetiva e o papel imaginário para Stanislavski?
4)
Porque esse tipo de interpretação era ligada a "esquerda" (e não vale
escrever que porque era vinda dos russos comunistas...)
Por
favor, respondam, imprimam e entreguem no dia 17/9. Não aceitarei via
e-mail, ok? Valor: 5 pontos. Neste dia, vamos assistir "Um de nós morrerá", de Arthur Penn, um legítimo expoente da escola stanislaviskiana norte-americana. Para que melhor possamos usufruir do filme, nossa aula, então, neste dia 17, acontecerá no Auditório 2, no segundo andar, do campus Aymorés, no mesmo horário de 7:35. Em seguida, no mesmo local, faremos a aula/debate conjunta com o Prof. Ataídes e seus alunos. O mesmo filme também estará em cartaz no Cine Repertório, no dia 16, às 19 horas,
no mesmo local. Caso você queira assistir neste dia e horário, poderá vir
apenas para a segunda parte da aula conjunta.
Por Teté Ribeiro, colaboração para a UOL, Los Angeles - 06/11/2009
O
ator, comediante e músico Jamie Foxx, 41, gosta de dar entrevistas. Já o
entrevistei pelo menos três vezes nos últimos anos, pelos filmes
"Dreamgirls", "O Reino", e "O Solista", que estreia esta sexta no
Brasil. Nas duas vezes anteriores, ele já chegou à sala falando, fazendo
piada ou uma imitação de alguém famoso. Quem ainda não o viu imitando o
presidente Obama que corra para a internet.
Dessa vez
foi diferente. Ele estava mais quieto, introspectivo, fazendo da
entrevista um momento quase íntimo. Não é para menos. Jamie Foxx tinha
uma história pessoal dramática para contar. Durante as filmagens de "O
Solista", o ator, que vive o músico esquizofrênico Nathaniel Ayres no
longa, teve que ser monitorado constantemente e precisou da ajuda de um
terapeuta quando começou a confundir sua vida com a do personagem. O
diretor do filme, o inglês Joe Wright (de "Atonement"), chegou a sugerir
que ele desistisse do papel, mas o ator decidiu enfrentar seu medos e
traumas e ir em frente.
E o filme que estreia agora
também conta uma história comovente, baseada em um caso real. Em 2005, o
colunista Steve Lopez (Robert Downey Jr. no filme), do jornal Los
Angeles Times, viu um morador de rua tocando um violino com apenas duas
cordas. Parou para conversar e descobriu que seu nome era Nathaniel
Ayers, e que ele tinha sido aluno de Juilliard, uma das escolas de
música mais prestigiosas dos EUA, em Nova York. Abandonou os estudos
porque sofria de esquizofrenia. Também por causa da doença, Nathaniel
não conseguia funcionar normalmente na sociedade. Acabou morador de rua.
O
jornalista da Califórnia publicou uma série de colunas a respeito de
sua relação com Nathaniel, de todos os problemas que o músico
enfrentava, e como a sociedade não está preparada para lidar com
distúrbios mentais. As colunas fizeram tanto sucesso que viraram livro.
Agora, a história de Nathaniel e Steve virou cinema. E o filme fez os
demônios que vivem dentro do ator Jamie Foxx ameaçarem aparecer.
UOL - Você está completamente diferente neste filme, quase irreconhecível. O que você mudou?
Jamie Foxx
- Eu ando por aí com esses dentões brancos falsos que parecem um piano.
Então fui a um dentista e disse: 'vou fazer papel de mendigo em um
filme, mas o público não vai acreditar no personagem se ele tiver esses
dentes super limpos e brilhantes, o que você pode fazer para eu parecer
mais mal tratado?'. Ele disse que podia diminuir o tamanho e fazer uns
quebrados, aí a maquiagem dava uma escurecida neles na maquiagem. Minha
empresária estava comigo na sala e quase não me deixou fazer isso. Mas
eu insisti e acho que realmente ajudou. Também raspei minha sobrancelha e
acho que as duas coisas juntas fizeram o personagem não parecer comigo.
Depois tive que refazer tudo, usar aparelho, foi um inferno. Mas valeu a
pena.
UOL - O diretor, Joe Wright, me disse que
você ficou preocupado com você no set porque parecia que estava indo
muito fundo nos problemas psicológicos do personagem e ele tinha medo
que você sofresse alguma consequência séria.
Jamie Foxx
- É, porque eu já passei por um episódio psiquiátrico bem assustador na
vida. Quando tinha 18 anos, estava em uma festa e alguém achou que
seria uma boa idéia botar alguma coisa no meu copo e não me avisar. Acho
que era PCP. Eu fiquei completamente maluco, em pânico, achei que tinha
perdido o controle da minha mente. Desde de criança tenho um medo
inexplicável de que um dia vou enlouquecer, e essa noite achei que tinha
acontecido. Acabei no hospital.
UOL - Foi internado ou apenas passou pelo pronto-socorro?
Jamie Foxx
- Passei pelo pronto-socorro, o que aconteceu de fato não foi tão sério
como o que desencadeou dentro de mim. Tomei um soro e voltei para o meu
dormitório na faculdade na mesma noite, mas os 11 meses seguintes foram
uma tortura psicológica. Passei a viver em pânico, quem salvou minha
vida foi o meu colega Mark, que dividia o dormitório comigo e toda noite
conversava comigo, me dizia que o meu medo não era real, que eu tinha
sido drogado, não estava ficando louco. Quando li esse roteiro vi os
paralelos da vida do personagem com o episódio que eu vivi 20 anos
atrás, e foi o que me fez aceitar o papel. Mas antes de começar as
filmagens comecei a ficar muito ansioso, sem saber exatamente o que era
real e o que não era, comecei a achar que era o personagem. Então o Joe
(Wright, diretor) me procurou e disse que se eu não quisesse fazer o
papel ele entendia e procurava outro ator, mas acreditava que isso
poderia ajudar minha performance, desde que eu tivesse assistência
durante o processo. Aí eu quis ir em frente.
UOL - E quem te ajudou durante as filmagens?
Jamie Foxx
- O diretor, na maior parte das vezes. Quando ele via que a cena tinha
acabado e eu continuava meio avoado, sentava do meu lado e me dizia
'isso é real, isso não é real, você é um ator, ele é o personagem etc'.
Foi bem esquisito e cobrou um preço alto, mas acho que é minha melhor
atuação até agora.
UOL - O Robert Downey Jr. não te falou sobre a experiência dele com drogas?
Jamie Foxx
- Falou, ele fala muito disso, não tem vergonha nem constrangimento de
nada do que aconteceu com ele. Mas o meu problema não era droga, era
paranoia, pânico. Ficamos muito próximos, eu adoro ele, considero um
grande amigo hoje em dia. E ele é tão melhor ator do que eu, é
impressionante (risos). Parece que atuar é muito fácil para o Robert,
ele tem um instinto incrível, descobre as emoções de cada cena na
primeira vez que lê.
UOL - PCP é uma droga muito poderosa. A experiência te assustou para sempre?
Jamie Foxx
- Claro, esse negócio de droga nunca me atraiu, nem antes, mas
principalmente depois. Eu tive que ler muito a respeito, porque tive
alguns flashbacks na vida. Tive aos 26, aos 32 e nos 11 meses seguintes
àquela experiência. Não é exatamente o efeito da droga que volta, mas a
reação que desencadeia no seu corpo pode voltar a acontecer. Chama
estress pós-traumático.
UOL - O que a droga te faz sentir?
Jamie Foxx
- Essa é a droga do horror. Para mim, fez com que eu experimentasse os
meus piores pesadelos. Sob efeito dela eu tinha medo do escuro, achava
que a TV estava falando comigo e as coisas estavam saindo para vir me
matar. É uma grande paranoia.
UOL - Você não fez terapia?
Jamie Foxx
- Fiz, claro, não poderia ter me livrado dos meus demônios sem terapia.
Já tinha feito algumas vezes, mas voltei quando comecei a me sentir
esquisito por causa desse personagem. Agora parei, acho que foi um susto
que passou e até que para o tanto que eu poderia ser maluco, funciono
bem direitinho (risos).
UOL - Você
conheceu bem o Nathaniel Ayres, o seu personagem? A vida dele é ainda
bem parecida com a forma como é retratada no fim do filme, não?
Jamie Foxx
- É, ele continua daquele mesmo jeito, juntando uma idéia na outra e
fazendo muitas digressões durante uma conversa. Quem o conhece diz que
eu o retratei muito bem, ele tem aquele jeito de falar que eu faço no
filme. Tenho bom ouvido, estudei muita música, acho que isso ajuda muito
na hora de pegar o ritmo da fala de uma pessoa, por isso eu tendo a
fazer boas imitações.
UOL - E ele sabia quem você era?
Jamie Foxx
- Quando me apresentaram a ele pela primeira vez ele disse 'Jamie Foxx,
Jamie Foxx, eu sei quem você é, conheço esse nome mas seus filmes nunca
passam perto da minha casa mas também se passassem eu talvez não
soubesse dizer porque não vou muito ao cinema sabe as vezes prefiro eu
mesmo ser o artista em vez de estar na plateia' (risos). Cada frase dele
dura uns 3 minutos e tem mil começos, mil meios e muitas vezes nenhum
fim. E tem dias mais calmos e outros mais agressivos, tem dias que ele
tem vontade de socializar e outros que não quer conversar com ninguém.
UOL - E você chegou a tocar com ele?
Jamie Foxx
- Não, eu só o assisti tocando. Ele sabia que eu também era músico mas
estava ali como ator e para interpretá-lo, e acho que gostou disso,
porque ele tocou muito para a gente ver. E é quando fica mais calmo,
mais tranquilo, é o jeito que ele gosta de ter gente por perto. Eu
ficava imaginando que aquelas pessoas de quem ele sempre fala, as
pessoas com quem ele tem todos os debates mentais, se sentam para
assistir quando ele toca. Tem um efeito calmante para ele.
UOL - E o que tem esse mesmo efeito para você? Gravar música, fazer comédia ou seu trabalho como ator?
Jamie Foxx
- Nenhum deles, o que eu faço que me tira qualquer problema da cabeça é
jogar ping-pong. Quem me vê jogando não acredita, sério que eu sou bom
de ping-pong (risos). Podia jogar profissionalmente se quisesse (mais
risos). Graças a Deus não preciso de uma nova profissão, mas esse jogo
despertou uma coisa muito terapêutica, descobri que o melhor jeito de
lidar com meus problemas é mexer com alguma coisa fora de mim. Meditação
não é comigo, sou muito ativo e competitivo, ia ter que ser o melhor
meditador do mundo (risos), ia ter que ser o cara que fica 78 horas
meditando sem se mexer.
UOL - E seu senso de humor, não te ajuda?
Jamie Foxx
- Claro que ajuda. A não ser quando atrapalha (risos). Mas acho que
tudo que eu faço me ajuda, me expresso de todas as maneiras possíveis. E
assim consigo que minha vida tenha atividade suficiente para eu não
enlouquecer. Não sei como eu sobreviveria sendo um bancário que mora no
subúrbio e chega em casa todas as noites para jantar com a família. Não
poderia ter uma vida pacata, normal. Por sorte tenho algum talento e sou
bem bonitinho, aí consigo viver dessa outra maneira.
Prezado(a)s, opinem sobre a entrevista e o método de construção do personagem pelo ator e pelo diretor.
Prezados, façam suas análise sobre as três etapas mostradas aqui, do filme Romance (2008), de Guel Arraes. Na sua opinião, qual a importância de cada uma e como você vê a relação entre elas nos videos acima.
Prezadas e Prezados, 1) Selecionar um texto/conto/crônica (ou trecho de) com cerca de três páginas majoritariamente feito de diálogos, como do escritor Luiz Vilela ou alguns do cronista Luiz Fernando Veríssimo.
2) Não serão aceitos textos próprios e nem adaptados. Usar na íntegra ou partes sequenciais, sem edição de texto. 3) Produzir um video de não mais de cinco minutos, com mínimo de edição (de preferência, com apenas um take), valorizando a interpretação. Vide exemplo acima. 4) Não usar trilha sonora. 5) Postar em sites de conteúdo até o dia 7 de outubro. Enviar o link para claudio.marcio@prof.una.br.
6) Colocar como título "Exercício de Direção de Atores UNA: (nome do conto) de (nome do autor)". Exemplo: Exercício de Direção de Atores UNA: Cuecas de Luiz Fernando Veríssimo". Tal obrigatoriedade deve-se ao respeito aos direitos autorais.
7) Trabalho em grupo de até quatro componentes. 8) Poderão ser utilizados atores e não-atores do próprio grupo. 9) Na aula do dia 8 de outubro deverão ser entregues os textos de apoio: 9.1: Estudo dos personagens conforme metodologia de Walter Lima Jr. (apud GERBASE, 2007). 9.1.1: Aspectos Físicos 9.1.2: Aspectos Sociais/ Demográficos 9.1.3: Aspectos Psicológicos 9.1.4: Relações Pessoais e Reações Sociais 9.1.5: Biografia 9.2: Descrição de cenas pelas motivações dos personagens. 9.3: Relato cronológico e descritivo das etapas da direção dos atores (reunião, ensaios, gravação).
10) Avaliação: P1: 20 pts. O não cumprimento de qualquer das regras acima tira ponto na avaliação final. Portanto, prestem atenção! Bom trabalho.
Por Teté Ribeiro - Folha de S. Paulo - 25/08/2013 - 22h04
"Não era nada disso que eu queria", é o que ouve Wagner Moura do diretor
sul-africano Neill Blomkamp ("Distrito 9") na primeira leitura do filme
"Elysium", que estreia no Brasil no dia 20.
O brasileiro tinha chegado bem preparado para o primeiro trabalho em
Hollywood, cenas decoradas e um jeito de falar e andar que treinou em
casa.
O diretor, os produtores e os outros atores do filme, nomes como Matt
Damon, Jodie Foster e Alice Braga, estão com o texto na mão. A leitura é
o momento em que os atores entendem o ritmo um do outro, e o diretor vê
seu time unido pela primeira vez.
Mas Wagner, 37, chega pronto e resolve mostrar o que tem. "Todo mundo
leu, eu botei meu roteiro de lado e saí fazendo o personagem, com voz
rouca, mancando para lá e para cá, gesticulando muito", lembra. "As
pessoas foram ficando assustadíssimas." No final, o diretor o chama de
lado e sentencia: "Não era nada disso que eu queria". Mas complementa:
"Gostei, vamos investir".
É a essência do "axé acting".
Quem explica a técnica é um de seus melhores amigos, o também ator e
também baiano Vladimir Brichta: "Baiano não é cool. Se for para errar, a
gente erra para cima, nunca para baixo. A gente sangra e transpira pelo
personagem".
O termo foi criado por Cacá Diegues, diretor de "Deus É Brasileiro",
filme que revelou Wagner, aos 27 anos, em 2003. "Minha tendência como
ator é sempre fazer mais. Esse negócio de 'menos é mais' é um chavão",
diz.
Dez anos depois, em Hollywood, ouvir "vamos investir", quer dizer alguma
coisa. "O personagem tinha um problema na perna, e eu quis usar uma
bengala. Pedi ao diretor e, em cinco minutos, tinha 50 bengalas para eu
escolher", lembra Wagner. "Essa é a diferença de filmar lá, é muita
grana. Os caras te tratam bem. Meu trailer tinha até lareira."
No filme, Wagner interpreta Spider, um mix de hacker e traficante de
gente, que descobriu um jeito de transportar os pobres para o mundo dos
ricos. A história se passa em 2154, e a Terra, destruída, é controlada
por robôs, que usam e descartam os seres humanos, mais ou menos como
fazemos hoje com um celular de dois anos atrás.
Prezadas e Prezados, gostaria que vocês comentassem sobre a metodologia, a relação direção-ator e o tal "axé acting".
Seguem algumas informações sobre a nossa disciplina:
1) São três os tipos de avaliações: projetos e estudos
dirigidos (individuais e em grupo), no total de 60 pontos; 20 pontos de
participação neste Blog (dê uma olhada nas regras no cabeçalho) e 20 pontos de TIDIR. Datas e regras de
avaliação, trabalhos e estudos dirigidos
encontram-se no Plano de Aula, distribuído em sala e presente na seção
de Material Didático do SOL.
2) Tais Projetos e Estudos Dirigidos serão explicados em sala de
aula mas estarão também neste Blog. É importante ficar atento às
postagens e aos prazos de entrega.
3) Todos os textos dos Estudos Dirigidos serão disponibilizados digitalmente na seção Material Didático no SOL.
4) Todos os trabalhos deverão ser entregues em formato
físico ou, em caso de videos, postados em sites de acesso geral, como
YouTube e Vimeo, não aceitando, sob qualquer argumento, a entrega
virtual, via
endereço eletrônico ou outro. Trabalhos entregues e/ou postados fora do
prazo perderão
pontos.
5) Nossas aulas são expositivas, com debates e ampla participação, que também será avaliada.
6) É importante os alunos manterem um caderno de
anotações para as aulas expositivas. O professor alterna escrita no
quadro com slides, mas apenas as idéias principais. Os estudantes devem
anotar suas próprias impressões ou observações que acharem pertinentes
junto ao tópico. Tal metodologia ajuda na fixação da matéria e tem se
mostrado um fundamental roteiro de estudo para as avaliações.
7) Não há abono de faltas, nem por doença atestada com
comprovante. Os únicos abonos aceitos são aqueles determinados pela
secretaria acadêmica, os APDs.
Por Juliana Arini, do Parque Nacional do Xingu - Revista Época - Ed. 597 - 21/10/2009
Um cacique do Xingu usa o cinema e descobertas arqueológicas para manter viva a tradição indígena
No
Alto Xingu, em Mato Grosso, um curioso ritual ocorre todos os dias,
depois do pôr do sol. Crianças, mulheres e jovens se reúnem em uma
grande oca oval de palha, construída no estilo tradicional xinguano.
Eles disputam lugares em bancos de madeira até que as primeiras imagens
iluminam o ambiente. À frente do grupo, entre esculturas de barro na
forma de onça e de jacaré – símbolos do poder dos chefes –, está
Afukaka Kuikuro, um dos líderes mais respeitados do Parque Indígena do
Xingu. “Tisügühütu ongitegoho”, diz o cacique, apontando para uma
televisão de 29 polegadas. (Não tente pronunciar essa frase, é uma
sentença anasalada, e isso aí em cima é uma transliteração feita por uma
especialista em línguas indígenas. )
Ver televisão na oca
de um índio já é algo comum em muitas terras indígenas do Brasil. A
diferença na aldeia cuicuro é a programação. Ali, eles não assistem
apenas a novelas, noticiários ou jogos de futebol. Os cuicuros se reúnem
para ver filmes sobre índios feitos por índios. “Tisügühütu
ongitegoho”, afirma novamente Afukaka e ri de minha expressão de
incompreensão. “É para guardar nosso costume”, diz o cacique,
traduzindo sua fala entre gargalhadas. No filme a que assistimos, duas
índias começam a representar o mito de criação do pequi, uma fruta do
Cerrado que divide com a mandioca posição essencial na dieta indígena.
Cantos e rituais desenrolam-se por duas horas, o tempo exato que dura a
energia do gerador de luz. Os índios usam baterias de carro abastecidas
por placas solares para ter eletricidade em momentos especiais, como
ligar o radiocomunicador, trabalhar no computador da escola e assistir
aos filmes indígenas.
O grupo acompanha as cenas sobre o pequi
com as mais diversas reações. Às vezes caçoam uns dos outros, às vezes
fazem mesuras de respeito. A energia do gerador acaba, a sessão de
cinema também. A oca fica na mais completa escuridão. O grupo começa a
ir embora cantando em caribe, a língua dos cuicuros. A família do
cacique vai para as redes espalhadas pela casa. Moram na oca cerca de 30
pessoas, entre elas as quatro mulheres de Afukaka, algumas de suas
nove filhas, a família de seu único filho homem e muitos netos.
Tateando entre crianças e panelas, consigo finalmente encontrar a rede
dos visitantes. Os índios continuam a conversar sobre cinema até um
silêncio não programado invadir o ambiente.
Os vídeos que os
índios veem todos os dias vieram de um sonho de Afukaka. Ele queria
guardar as histórias de seus antepassados para os jovens cuicuros não
perderem suas tradições. O cacique é conhecido por dedicar sua vida à
missão. Afukaka divide com o índio Aritana Ywalapiti a posição de líder
máximo do Xingu. Um status conquistado apenas pelos guerreiros que
vencem as disputas corporais executadas durante o Festival do Quarup, o
ritual dos mortos do Alto Xingu. “Os caciques herdam a liderança das
aldeias de seus pais, mas para ser chefe do Xingu tem de vencer muitos
quarupes”, afirma Afukaka, mostrando suas orelhas deformadas como as de
um lutador de artes marciais. Além de um grande guerreiro, Afukaka é
sobrevivente das três maiores ameaças que pairam sobre os índios: a
perda de suas terras, as doenças trazidas pelo contato com os brancos e a
desintegração cultural. Processos que chegam com a velocidade de
instalação de fazendas e cidades na vizinhança.
A paisagem das
aldeias é um exemplo do desafio de Afukaka. Antenas parabólicas e casas
onde lonas de plástico preto tomam o lugar da tradicional palha de
buriti (uma árvore do Cerrado) são evidências claras de que o Xingu
mudou. Um dos principais indutores dessa transformação é o fascínio dos
índios pelo “papel do branco”, o modo como designam o dinheiro. Uma
influência que pesa principalmente sobre os jovens, seduzidos pelo
consumo nas cidades. Um problema comum a todas as aldeias do Brasil,
que também invadiu a vida no Parque do Xingu. Mesmo ali, distante 400
quilômetros da cidade mais próxima, onde 5 mil índios dominam um
território de 2,6 milhões de hectares, é praticamente impossível ver um
jovem sem celular e um aparelho digital para ouvir música. Muitos
adolescentes também usam sites de relacionamento na internet. O
principal problema desse estreito contato com a cultura de fora é o
crescente desinteresse em relação às tradições. “Muitos jovens querem
ter carro, viajar para as cidades, jogar futebol e ouvir rádio”, diz
Afukaka. “Alguns nem entendem mais nossos rituais.”
Aos 58 anos,
Afukaka luta para evitar que essa transformação cultural seja uma
catástrofe. “Eu visitei os índios dos Estados Unidos há dez anos. Lá,
eles têm cassinos e muito dinheiro, mas seus chefes lamentam por não
saber mais nada sobre a história de seus avós e por ter perdido até a
própria língua”, diz Afukaka, durante um café da manhã em que as índias
serviam o biju, uma espécie de tapioca feita de farinha de mandioca.
“Viajei muito e vi museus em Washington, em Nova York e no Canadá.
Conheci também os museus dos nossos parentes índios americanos. Voltei
com todas essas ideias na cabeça”, diz, dando um salto da cadeira e
caminhando em direção a uma casa amarela, pintada com desenhos
indígenas. Ele abre a porta e diz: “Aqui vai ser o nosso museu”.
A
imagem de computadores, livros e arquivos de DVD me faz viajar de um
Xingu indígena para uma repentina modernidade. “São eles que filmam
nossos rituais”, diz o cacique, apontando dois índios concentrados nos
computadores da sala. Takumã e Mahajugi nos recebem com um sorriso.
Eles são índios cuicuros que estudam cinema fora das aldeias. Em três
anos, aprenderam a usar filmadoras digitais, trabalhar com iluminação e
editar os filmes. Quando eu era criança, via os jornalistas filmando
no Xingu. Daí, pensava: ‘Quero fazer isso também’, afirma Takumã. Entre
os DVDs que já gravou está O cheiro do pequi, a que assistimos na noite anterior. “Nunca imaginei que iria conseguir.”
A
ideia de os próprios índios documentarem seus rituais surgiu em 2004,
incentivada pelo antropólogo Carlos Fausto, um dos maiores estudiosos da
cultura xinguana e pesquisador do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
Ele apresentou Afukaka ao projeto Vídeo nas Aldeias, dirigido por
Vincent Carelli, um dos grandes vencedores do último Festival de Cinema
de Gramado. Carelli recebeu dois prêmios, por melhor direção e filme,
com o documentário Corumbiara, em que relata um massacre de
índios de Rondônia em1980. Ele trabalha há 30 anos documentando a
cultura indígena e, hoje, também ensina as técnicas de cinema aos
índios. “Foi um processo natural, no começo minhas câmeras ficavam a
serviço dos índios, agora estou ensinando tudo a eles”, diz.
Uma
das revelações dos vídeos cuicuros é o domínio indígena sobre a
linguagem do cinema. “Eles sempre surpreendem com soluções criativas,
como usar bicicletas para substituir equipamentos profissionais de
cinema”, afirma Carelli. O cinema nas aldeias também estimula os jovens
a buscar o conhecimento dos índios mais velhos. “Precisamos fazer
muitas entrevistas para escrever o roteiro. No começo, os velhos
ficavam bravos e não entendiam nosso trabalho”, afirma Takumã. “Até que
mostramos os primeiros filmes e todo mundo gostou de se ver na
televisão. Aí ficou bem mais fácil.” O cinema despertou uma curiosa
vaidade: as índias ficam bravas quando aparecem descabeladas ou velhas.
Outro ponto interessante é que a produção obriga os índios a resolver
conflitos culturais. Eles brigam para decidir qual versão do mito que
vai prevalecer e também discutem sobre quem vai atuar. “No filme sobre o
pequi ninguém queria deixar sua mulher fazer o papel da moça que trai o
marido com o jacaré. Depois de muita negociação, conseguimos
selecionar as atrizes, entre as mulheres mais velhas”, diz Carelli.
Além
do cinema, Afukaka está executando outro feito inédito. Ele conseguiu
fazer uma refinada documentação dos cantos dos cuicuros. “Virei o
Roberto Carlos do Xingu”, diz o cacique, cuja aparência física não
podia estar mais distante do cantor. Afukaka diz que a referência se
justifica porque o canto é o laço mais importante dos índios com sua
cultura. “Não temos livros, nossa história é guardada nas canções. Quem
sabe cantar é muito respeitado no Xingu.”
Apesar da importância
dos cantos e do cinema, Afukaka é famoso por outra iniciativa. Ele é o
precursor dos estudos científicos no Xingu. Foi o primeiro índio
brasileiro a assinar um artigo na renomada revista americana Science. A
pesquisa começou em 1996, quando Afukaka conheceu o arqueólogo
americano Michael Heckenberger, em uma viagem ao Rio de Janeiro, para
discutir a situação do Xingu com políticos. O pesquisador procurou os
índios para buscar ajuda em um estudo sobre a história do povoamento da
Amazônia. Ao conversar com Afukaka, Heckenberger ficou fascinado pelos
relatos de grandes cidades perdidas no Alto Xingu e decidiu pedir
autorização para pesquisar nas aldeias. Passou dois anos morando na
casa de Afukaka. “O cacique é uma das pessoas mais cultas e
extraordinárias que conheci”, diz Heckenberger, coautor do artigo,
publicado em 2008.
Em 15 anos de pesquisa, o americano conseguiu
mudar a história arqueológica da Amazônia. Heckenberger provou a
existência de uma civilização avançada que viveu no Alto Xingu entre os
séculos IX e XIV. Uma sociedade com núcleos urbanos de até 5 mil
pessoas, que praticavam o comércio, fabricavam uma refinada cerâmica,
construíam estradas e fossos com fortificações de palha para proteger
as cidades. Essa civilização teria atingido seu apogeu no século XII,
antes da chegada dos europeus às Américas.
Afukaka faz um convite para visitarmos as ruínas da civilização descrita na Science.
Fico em dúvida se aceito a carona do cacique em uma motocicleta parada
perto da casa do cinema. Ele parece que vai cair a qualquer momento.
Uma de suas filhas me confidencia que a condição física de Afukaka é
fruto de uma grande tragédia. “Ele ficou assim depois que meus irmãos
morreram.”
Descubro que Afukaka é um líder sem sucessor
definido. Seu único filho homem vivo não decidiu se vai ser um cacique e
o neto mais velho, que herdou seu nome, mora em São Paulo – e quer
estudar administração. Não ter um sucessor preparado é um drama entre
os índios, que passam o comando das aldeias de forma hereditária.
O
problema sobre a sucessão de Afukaka começou há 15 anos. Seu filho mais
velho morreu durante os rituais que marcam a passagem da vida das
crianças para a fase adulta. A causa da morte pode ter sido a reclusão
obrigatória em uma casa construída no centro da aldeia. Seis meses
depois, Afukaka sofreu outra perda. Seu segundo filho, ainda criança,
morreu de meningite. Abatido pelas mortes, o cacique entrou em
depressão e adoeceu. Tratado com corticosteroides, hormônios usados
para combater alergias, Afukaka acabou deformado pelos remédios. O forte
guerreiro virou um homem calvo, encorpado e com uma expressão inchada.
“Foi depois da morte dos filhos que Afukaka passou a ter essa
preocupação cada vez maior em registrar a cultura de seu povo”, diz
Fausto, do Museu Nacional.
Decido aceitar a carona para conhecer
as ruínas. Depois de alguns minutos em uma trilha na mata, paramos em
uma clareira. Atrás das árvores, grandes valetas que lembram fossos de
castelos medievais seguem como serpentes cortando a floresta até as
margens de um lago de águas transparentes. A aldeia cuicuro é
considerada um dos lugares mais bonitos do Parque Indígena do Xingu. Dá
para entender por que as antigas cidades eram erguidas ali, próximas do
impressionante rio. Afukaka aponta para as escavações de Heckenberger.
Vejo três grandes covas de 10 metros de largura e 3 metros de
profundidade. O cacique caminha entre as escavações arqueológicas e me
mostra pontas de lança e cacos de cerâmica. Penso na dimensão
impressionante que as cidades teriam e compreendo o entusiasmo de
Heckenberger. “Aqui moravam meus antepassados, os avós das histórias
que meu vovô contava”, diz Afukaka, com orgulho. “Fico feliz de vir
aqui. Sinto que finalmente está tudo registrado, e os índios não vão
mais esquecer nossa história. Tisügühütu ongitegoho”, afirma, com um
sorriso no rosto.
Prezados,
embora não seja exatamente nosso campo de estudo, achei que a
reportagem iria interessar vocês. Apenas para não deixar de darem sua
opinião, me digam como vocês acreditam que o 'diretor' desses projetos
dirigem seus 'atores'.
O próximo Cine Repertório (04/06) exibirá o
filme Pixote, de Hector Babenco, com a preparação de atores de Fátima Toledo. Segue sendo na terça-feira, nas duas
primeiras aulas da Profa. Tatiana, e com o debate seguinte à exibição
com o Prof. Ataídes.
No SOL, no Material Didático, está o texto
para o tradicional Estudo Dirigido, que me deve ser entregue no dia 03/06, dia de nossa aula, onde iniciaremos a conversa sobre a temática.
Por favor, leiam o texto e respondam:
1) Em relação a direção de atores, você poderia descrever como pensa Fátima Toledo sobre o tema?
2) Há como fazer algum paralelo com os outros estilos de direção de atores?
3) Se você já assistiu algum(ns) filme(s) da preparadora (Pixote, Cidade de Deus, Tropa de Elite e outros citados no texto), qual a sua opinião sobre a atuação dos atores?
4) Qual a sua opinião pessoal sobre a metodologia utilizada pela preparadora?
Por Paoula Abou-Jaoude, de Los Angeles, com Marcelo Bernardes - Revista Época - Ed. 598 - 31/10/2009
Foto: Woody Allen e Larry David no set. “Ele reclamava que seu trabalho estava ruim, mas estava ótimo”, diz o diretor
Prezados, seguem partes da entrevista do cineasta norte-americano quando do lançamento do seu mais recente filme Tudo pode dar certo. Selecionei apenas suas opiniões sobre a direção e interpretação de atores. Dêem sua opinião.
(...)
ÉPOCA
– Larry David protagoniza seu novo filme, mas poderia ser o senhor.
Quando é que decide se vai ou não assumir o papel principal?
Woody Allen
– Fiz o filme The front, com o Zero Mostel em 1975, e o achei um homem
muito culto. Ele sabia tudo sobre música, literatura, era uma pessoa
confiante. Então escrevi o personagem para ele, com humor sarcástico.
Jamais pensei em interpretar o personagem. Comigo o personagem ficaria
ranzinza demais. Com a personalidade de Zero, todo mundo o adoraria.
Quando Zero morreu, coloquei o roteiro na gaveta de meu criado-mudo e
nunca pensei em revisá-lo, muito menos interpretá-lo. Quando a greve dos
roteiristas acabou em 2008 e obtive financiamento para meu novo filme,
tive de correr contra o tempo. Foi quando decidi abrir minha gaveta e
dar uma olhada no roteiro. Minha diretora de elenco, a Juliet Taylor,
sugeriu o nome de Larry David, pois, como você vê no show dele, Larry
pode ser amargo, ele insulta as pessoas, ele se mostra ser mais
inteligente que os outros, mas, mesmo assim, as pessoas gostam dele. Não
sei por que – mas você acha que ele é legal. Achei Larry David um
sujeito com um humor natural e quis conhecê-lo.
ÉPOCA – E como foi a experiência de trabalhar com ele?
Allen –
Todo dia, no final das filmagens, Larry vinha reclamar que o trabalho
dele estava ruim e que ele não podia atuar, que não conseguia fazer
certas expressões, que não conseguia memorizar os diálogos (risos). Mas
ele estava sendo ótimo. Atores que dizem que são bons são, na verdade,
aqueles em que você tem de ficar constantemente de olho! Os que são
inseguros acabam surpreendendo todo mundo.
(...)
ÉPOCA
– O senhor costuma arrancar bons desempenhos de suas atrizes. Cinco
ganharam o Oscar. Que características procura numa atriz na hora de
escalá-la para um papel?
Allen –
Sempre que escalo uma atriz, olho para aquela que não parece que está
atuando enquanto, na verdade, está. Isso é incrível. Contrato atores que
são naturais, simples, e tenho me dado bem. Meus atores se dão bem em
premiações porque você não tem a sensação de que está vendo uma coisa
artificial ou cafona.
O próximo Cine Repertório (07/05) exibirá o filme Psicose, de Alfred Hitchcock. Segue sendo na terça-feira, nas duas primeiras aulas da Profa. Tatiana, e com o debate seguinte à exibição com o Prof. Ataídes.
No SOL, no Material Didático, está o texto para o tradicional Estudo Dirigido, que me deve ser entregue no dia 06/05, dia de nossa aula, onde iniciaremos a conversa sobre a temática.
Por favor, leiam o texto e respondam:
1) Em relação a direção de atores, você poderia descrever como pensa Alfred Hitchcock sobre o tema?
2) Hitch chega a mencionar o método de Stanislasvki. Qual você acredita ser a posição dele e o que ele faz a respeito?
3) Há como fazer algum paralelo também com o estilo brechiano de direção?
4) A partir do texto, quais foram suas impressões sobre a direção de atores empregada pelo autor?
5) Se você já assistiu algum(ns) filme(s) do cineasta, qual a sua opinião sobre a atuação dos atores?
Prezadas e Prezados, Conforme estamos trabalhando em sala, temos a tarefa de fazer, ao final do ano, uma leitura dramática do roteiro "12 Jurados e uma Sentença". O trabalho será em grupo onde um dos componentes será o 'ator/leitor' e os demais colegas (nunca mais do que três) serão os responsáveis pela sua direção. Como primeira atividade avaliativa é necessário a confecção dos textos de apoio: 1) Dissertação do personagem, de até três
páginas, com um estudo a partir dos aspectos
sugeridos por Walter Lima Jr (apud: GERBASE, 2007, p.18):
2.1: Aspectos Físicos
2.2: Aspectos Sociais/Demográficos
2.3: Aspectos Psicológicos
2.4: Relações Pessoais e Reações Sociais
2.5: Biografia
2) Escrever um texto, onde diretores ajudem 'atores' a descrever as diferenças entre ele e o personagem, das mais óbvias as mais sutis.
3) Descrever um corpo imaginário, em formas físicas (posturas, gestos, voz), figurino e um repertório de ações e reações.
Prezadas e Prezados, Na próxima terça-feira, dia 09/04, no Cine Repertório, às 19 horas, será exibido o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, seguido de um seminário onde a questão da interpretação pelo método inspirado em Brecht será debatido pelo Prof. Ataídes, seus alunos e vocês. Para isso, peço que leiam o texto "Inter-Relações entre Cinema e Teatro: Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe" de Denise Camillo Duarte (está no Material Didático do Sol) e respondam as seguintes questões por escrito e entreguem ao Prof. Ataídes no dia da exibição. 1) De que maneira são feitos os distanciamentos brechtianos? 2) Como isso é transportado para a interpretação dos atores? 3) Qual o papel de uma suposta estética realista tem na interpretação dos personagens? 4) Qual é o papel das ações físicas dos atores (gestuais, olhares, voz) na construção dos personagens? 5) Quais são as técnicas basilares na mise en scène usada por Glauber e no que elas diferenciam do método de Stanislaviski. 6) Faça um comparativo, no que tange a interpretação de atores, entre a interpretação inspirada nos distanciamentos brechtianos e n'O Método de Stanislavki.
A partir do texto de Michael Chekhov, "Como abordar o papel", responda as seguintes questões:
1) Descreva, com suas palavras e
dando exemplos a partir do roteiro “12 homens e uma sentença”, escolhendo o
personagem que quiser, as diferentes maneiras que o autor sugere de como
abordar um papel.
2) Quais seriam as unidades e
objetivos deste personagem, conforme o Stanislasvki descrito pelo autor.
3) Qual a importância do público
imaginário.
4) Faça um resumo, a partir de suas
próprias percepções, do método de Stanislasvki.
Texto: Como Abordar o Papel. In: CHEKHOV, Michael. Para o Ator. (no Material Didático do SOL ou na pasta do Prof. Cláudio no CyberCopy). Roteiro: "12 homens e uma sentença" (no Material Didático do SOL) Trabalho Individual. Entrega IMPRESSA em Primeiro de Abril de 2013 (não é mentira!)
Teremos uma aula mais do que especial nesta sexta-feira, dia 22 de março.
Será com o ator, um dos maiores da sua geração, Jonas Bloch.
Jonas Bloch tem quase 40 filmes e
mais de 20 novelas no currículo extenso, coroado com diversas
premiações. É também diretor, escritor, professor e apaixonado por Minas
Gerais onde tem uma simpática pousada em um distrito de Ouro Preto.
Mais do Jonas aqui:
A ênfase de nossa conversa será a Direção de Atores, a relação diretor e ator e a construção do personagem. A minha turma de Direção de Atores é a turma principal anfitriã (com o horário gentilmente cedido pela Profa. Suzana), mas, devido a importância do convidado e do tema, estamos convidando os demais colegas do curso e outros admiradores do ator e da temática.
Será no Teatro do ICBEU, às 19 horas, dia 22 de março, sexta-feira (amanhã) e logo após exibiremos o filme "Amarelo Manga", de Cláudio Assis, pelo qual Jonas Bloch recebeu a indicação de melhor ator coadjuvante pela Academia Brasileira de Cinema, também seguida por um pequeno debate. Seria muito importante que vocês cheguem no horário pois ter nosso convidado e um monte de cadeiras vazias é muito triste. Além disso, sentem-se nas cadeiras da frente para poderem dialogar mais facilmente com o artista. Essas atividades servirão também como reposição de aulas das que não aconteceram na segunda-feira, dia 18/03 devido a falta de energia elétrica.
Por Felipe Pontes - Revista Época - Ed.771 - 04/03/2013
O físico Leonard Mlodinow, autor de "Subliminar", diz que ainda
estamos muito longe de compreender o inconsciente como um fenômeno
físico
ÉPOCA – Nós vivenciamos mais o mundo mais pelo inconsciente que o consciente?
Leonard Mlodinow – Sim. A quantidade de energia do cérebro que
está funcionando em processos inconscientes é maior do que nos
conscientes. A energia usada pelo cérebro por alguém que está se
concentrando profundamente é quase a mesma que a de uma pessoa deitada
no sofá, sem fazer nada. Isso mostra que o cérebro está trabalhando duro
o tempo todo, mesmo quando você está sonhando acordado, com a mente
limpa. O pensamento consciente não toma tanto da capacidade do cérebro. A
maior parte dele é inconsciente, principalmente porque há muitos
processos fisiológicos que são coordenados inconscientemente, como as
batidas do coração e respiração.
ÉPOCA – Os pesquisadores conseguem apontar quando processos inconscientes se tornam conscientes?
Mlodinow – Os processos inconscientes e conscientes são todos
interconectados. Um alimenta o outro. Não é fácil separá-los. Imagine um
cientista que está tentando resolver um problema de física bem difícil.
Após se frustrar e não conseguir resolvê-lo, ele esquece aquilo e vai
correr ou tomar um banho. Subitamente, quando está no meio do chuveiro
ou no parque, uma solução lhe vem à mente. No fundo, seu cérebro estava
refletindo profundamente naquilo. Seu consciente estava considerando o
problema e o inconsciente trabalhou em cima dele. Tudo é conectado. E
essa interconexão é complicada de destrinchar.
ÉPOCA – O que mais lhe impressionou durante a pesquisa para fazer o livro?
Mlodinow – Uma condição chamada “visão às cegas”. Muito do
nosso processamento de informação visual é inconsciente. Seus olhos,
retina e nervo óptico gravam uma imagem que é interpretada por certas
partes do cérebro até chegar a você. Eu fiquei chocado com o caso de um
paciente que teve um infarto que liquidou a região cerebral que envolve a
parte consciente da visão, mas não afetou a parte inconsciente. Aquele
homem tinha todas as ferramentas para processar uma imagem, mas seu
cérebro não conseguia interpretar conscientemente aquilo. Em outras
palavras, ele não conseguia ver nada. Mas conseguiu, num experimento
famoso, desviar de obstáculos de um corredor porque a parte inconsciente
da sua mente estava automaticamente o alimentando para evitar alguma
colisão. Há pessoas que são cegas, mas possuem uma visão inconsciente
pela qual não estão cientes. Eu descrevi aquela pesquisa no livro porque
achei isso muito contraintuitivo. É difícil de imaginar que algo assim
existe.
ÉPOCA – A mente subliminar serve como um mecanismo automático de sobrevivência?
Mlodinow – Sim. Ele é pura sobrevivência, uma questão
evolutiva. Desviar de obstáculos, sentir fome, vontade de reproduzir,
medo de situações ou barulhos estranhos são instintos de sobrevivência. E
todo animal precisa disso para sobreviver, mesmo que de maneira
inconsciente. Pensamentos conscientes, como escrever um romance ou
investir dinheiro não têm propósito evolutivo.
ÉPOCA – É possível dizer que isso afeta nosso livre arbítrio?
Mlodinow – Seu consciente toma decisões. Mas está sendo
alimentado pelo inconsciente. Só que você frequentemente você não está
ciente das impressões. Para mostrar meu ponto, eu menciono no livro um
estudo onde as pessoas compravam mais vinhos franceses quando ouviam
música francesa e mais vinhos alemães quando escutavam músicas alemãs.
Ao comprar um vinho, uma pessoa pensa em critérios como a uva, a região
ou o que comerá no jantar. Mas não imagina que algo como a música pode
mexer tanto com sua decisão.
ÉPOCA – Que escolhas nós tomamos inconscientemente todos os dias?
Mlodinow – Ir ao trabalho. Você vai no piloto automático. Vira
à esquerda e direita sem pensar. Comer. Decidir o que comer. Aquele
salgado, aquele doce. Basicamente, qualquer decisão que você tomar. Há
influências por trás que ajudam a determinar o que você pegar. O pacote
vai ajudar a determinar. Por exemplo, fizeram um estudo onde deram às
pessoas diferentes cores de caixa para detergente. Depois de usá-lo por
um mês, os pesquisadores pediram para cada “cobaia” avaliar o produto. A
cor da embalagem tinha um efeito nítido em como as pessoas determinavam
sua efetividade. Só que todos detergentes eram idênticos. As pessoas
preferiam a caixa. É claro que os publicitários sabem que o pacote tem
um apelo forte no produto. O que não significa que você pode ser 100%
manipulado. Apenas mostra que pode ter certo efeito.
ÉPOCA – O pensamento consciente e o inconsciente podem entrar em conflito?
Mlodinow – Sim. Você não faz tudo o que racionalmente deseja
ou planeja. O maior exemplo disso é o gasto com cartão de crédito ou
dinheiro vivo. Pessoas com cartão gastam quase duas vezes mais porque
não “sentem” o quanto estão gastando. A mente subliminar faz o dinheiro
do cartão de crédito parecer menos. Ideias conscientes podem se chocar
com sentimentos inconscientes.
Prezadas e Prezados, qual o impacto das questões levantadas aqui na construção de um personagem?