Este é o Blog da turma da disciplina Direção de Atores, do curso de Cinema e Video do Centro Universitário UNA, de Belo Horizonte/MG. A partir de notícias, vamos debater a interpretação dos atores e atrizes.
Os comentários devem trazer observações pertinentes.
Cada comentário valerá 2 pts. até 15 dias após o post. Após isso, ainda serão válidos, mas valerão apenas 1 pt.
São 10 pts por bimestre, não valendo após o seu encerramento.
Aqui também estarão os trabalhos de classe. Fique atenta(o)!
A televisão colombiana tem capitalizado diante das boas
apresentações da seleção local, que está a uma vitória de assegurar
presença na Copa do Mundo de 2014. A Caracol TV, uma das principais
emissoras do país, exibe desde julho a novela La Selección, que
conta a história da seleção da Colômbia da década de 90. E além de
colher bons resultados nos índices locais de audiência, garantiu
destaque até mesmo junto à Fifa.
A série se baseia nas histórias dos principais nomes da
equipe na época: René Higuita, Freddy Rincón, Carlos Valderrama e
Faustino Asprilla. O quarteto ajudou a levar a Colômbia às oitavas de
final da Copa do Mundo de 1990, além de ter conquistado a vaga para o
Mundial seguinte de forma invicta com uma histórica vitória por 5 a 0
sobre a Argentina em Buenos Aires. Em 1998, a Colômbia foi para sua
última Copa até hoje.
A Fifa destaca a dificuldade dos atores em interpretar os protagonistas
daquela geração – caso, por exemplo, do ator Edgar Vittorino, que faz o
papel de Valderrama. “Inicialmente, eu recusei a participação, porque eu
não me parecia com ele”, contou Vittorino. “Mas quando eu vi fotos dele
ainda jovem, eu me dei conta de que nos parecíamos, que eu poderia
adotar o mesmo penteado”, completou.
Vittorino contou que chegou a viajar para Barranquilla
para conhecer o ex-jogador, e para a cidade de Santa Marta, onde
conheceu sua família “e aprender tudo sobre ele”. Além disso, foi para a
cidade de Pescaito, onde Valderrama cresceu, “para ajudar a entende-lo e
como foi uma luta difícil para chegar lá”. “Eu também assisti a vários
arquivos, li o máximo que pude a respeito dele, e joguei futebol por
três horas por dia”, explicou.
Os resultados, segundo a Fifa, tem sido “delicioso”. “El
Pibe (apelido de Valderrama) está feliz com meu retrato dele”, diz
Vittorino. “Ele acha que tenho feito um bom trabalho imitando o jeito
que ele anda e como ele age. E os espectadores estão adorando a novela.
As pessoas nas ruas me abraçam e dizem que tenho feito um bom trabalho.
Eles dizem que se sentem como se estivessem vendo El Pibe”, conta.
Prezadas e Prezados, comentem o método que o ator utilizou para buscar a melhor interpretação e qual deve ser o papel do diretor neste contexto.
Por Luís Antônio Giron - Revista Época - Ed. 594 - 02/10/2009
O
ator diz que só se interessa por papéis que fujam do lugar-comum – como
o do aventureiro Percy Fawcett, em um filme que deve trazê-lo ao Brasil
no ano que vem
O ator Brad Pitt, de 45 anos, um dos mais
assediados do mundo por jornalistas de escândalo e paparazzi, tem um
esquema especial para dar entrevistas: fica isolado e quase inacessível.
(...)
ÉPOCA– A arquitetura o ajudou a fazer cinema? Pitt – Sim, principalmente na noção de conjunto e planejamento. Repare em Bastardos inglórios:
é um filme arquitetonicamente concebido, com cinco capítulos
aparentemente dissociados. Só a noção de conjunto pode revelar sua
magia. A composição de um projeto de design ou arquitetura é mais ou
menos a mesma que usamos na produção de um filme ou na criação de um
personagem. É preciso saber exatamente até onde vai o projeto. No caso
de um personagem, é preciso saber se ele se sustenta sozinho (risos).
ÉPOCA– Por que você gosta de personagens excêntricos, como Aldo Raine? Pitt – Não
gosto de fazer o que outros atores fazem. Se é para fazer igual, deixo
que outros façam. Eu me esforço para inovar, ser diferente e buscar
papéis que me envolvam. Não suportaria conviver com um personagem banal,
tipo galã, por dois ou três meses. Gosto de personagens que me
desafiem, que me façam inventar algo, contribuir para a galeria dos
tipos humanos.
ÉPOCA– Você parece lutar contra a imagem de superastro e dos papéis que habitualmente os superastros têm. Isso é consciente? Pitt – Não
sei se luto contra. Na realidade, não tenho paciência para o
lugar-comum. Se me quiserem, é assim que eu sou. Não adianta criar em
cima de mim um galã antigo de cinema, isso, aliás, já passou. Não há
mais espaço para mocinhos no cinema. Tudo mudou, até mesmo Hollywood.
Hoje querem personagens mais complexos.
ÉPOCA– Qual é seu segredo para criar um personagem? Pitt – Não
tenho segredo. Preciso estudar o roteiro, aprovar a história e me
sentir bem com o personagem que vou criar. Em geral, não crio nada, vou é
na cola dos diretores. Não tenho essa pretensão de “construir
personagens”. O bom roteiro traz tudo o que você precisa para
interpretar um papel.
ÉPOCA– Trabalhar com Quentin Tarantino é um processo difícil? Você criou ou improvisou algo? Aquele sotaque de caubói? Pitt – Nada
disso. O Quentin não quer que ninguém improvise. Ele obriga todo mundo a
trabalhar estritamente segundo o roteiro. Eu queria ter improvisado,
mas ele não deixou (risos). Aldo está inteirinho no roteiro, em
cada fala. Porque tudo é milimetricamente projetado nos filmes de
Tarantino. É só seguir.
ÉPOCA– Você riu durante as filmagens? Pitt – O tempo todo! Trabalhei rindo. Meu personagem é muito engraçado, assim como o filme inteiro.
ÉPOCA–
Você trabalhou com muitos outros cineastas visionários, como David
Fincher, Terry Gilliam e Ridley Scott. Você os escolhe ou é escolhido? Pitt – As
duas coisas. Cinema é o resultado do projeto de um diretor. Hoje não há
como um ator tentar impor sua vontade. Os realizadores são os autores.
Daí eu preferir os visionários aos banais. Adorei trabalhar com
Tarantino e sou amigo pessoal e vizinho aqui em Hollywood de David
Fincher, com quem já fiz três filmes. É deles que tudo deve partir,
inclusive as ordens para o elenco. Procuro segui-las o mais fielmente
possível.
ÉPOCA– Não ocorrem atritos? Pitt – Claro, mas nada que não se resolva numa troca de ideias. Procuro mais colaborar que polemizar. Sou um cara pacífico (risos).
ÉPOCA– O que você aprendeu com eles? Pitt – Quase tudo o que sei de cinema aprendi com esses diretores. E cada um traz uma contribuição diferente: Terry (Gilliam)
abriu as portas do improviso e da beleza das formas e cores. David
Fincher me trouxe mundos psíquicos que eu sozinho não poderia imaginar.
Quentin Tarantino me ensinou a não dormir durante as filmagens! Ele me
proibiu de fazer a soneca de 20 minutos depois do almoço, algo sagrado
para mim. Bem, aprendi, mas agora voltei a dormir.
ÉPOCA– O que representou para você interpretar Benjamin Button, além de ter sido indicado ao Oscar pelo papel? Pitt – Foi
um trabalho desafiador e estimulante. David Fincher trabalhou com meu
personagem com vários tipos de máscaras feitas com alta tecnologia. E
assim eu tinha de me render à disciplina técnica de um lado e, de outro,
buscar a verossimilhança em um personagem que rejuvenesce. Mas o que
mais me valeu foi a lição de vida do filme: a gente precisa se divertir,
amar e fazer coisas de que gosta porque a vida é curta.
ÉPOCA– Você ainda tem alguma ambição como ator, o sonho de atuar no palco? Pitt – Atuar
é minha vida, uma das coisas de que mais gosto de fazer. Sinto que
estou construindo algo para que meus filhos continuem a se orgulhar de
mim. Não quero que eles tenham vergonha do que faço. Então me esforço
para pegar papéis bacanas. Ainda tenho muita coisa para trabalhar. Quero
interpretar papéis que venham a fazer diferença. Papéis cada vez mais
ambiciosos, eu diria, se isso não parecesse presunçoso. É engraçado, mas
nunca pensei em trabalhar em teatro. Nem quero. Teatro está fora do que
faço.
ÉPOCA– Por quê? Pitt – Talvez
porque eu não me envolva tanto assim com os personagens como fazem os
atores de teatro, aquela forma visceral não é para mim. Sou mais
sossegado. Gosto de montar o personagem e vê-lo pronto em um filme. É o
suficiente.
ÉPOCA– E como é produzir filmes? Pitt – Fascinante.
É como trabalhar em um projeto. Eu aposto em desafios. E hoje existe
mais oportunidade para quem realiza filmes mais ousados e independentes,
como faz minha produtora.
ÉPOCA– Depois de tantos anos trabalhando no show business, o que ainda o irrita e que aspecto melhorou? Pitt – Nunca
briguei em Hollywood nem entrei em confronto com qualquer estúdio. Isso
porque tenho consciência da necessidade que os estúdios têm de vender
filmes, de conquistar mercados e ganhar público. Então nunca houve de
minha parte nenhuma revolta autoral. Sobre as coisas de que não gostava,
tratei de conversar. Hoje, com a crise econômica, os estúdios estão
mais simpáticos a trabalhos de coprodução. Até porque eles não têm outra
opção. Isso tem dado chance a realizadores mais experimentais.
ÉPOCA– Hollywood nunca aprovou atrevimentos estéticos... Pitt – É
verdade, mas as coisas mudaram. O que está em jogo hoje é o cinema como
mercado. Só a inovação e a experimentação podem salvar a indústria.
Antigamente, os estúdios davam as costas para isso. Agora, apostam em
projetos financeiramente modestos, porém ousados do ponto de vista
artístico. O cinema deverá mudar muito nos próximos dois anos. A gente
vê superproduções de Hollywood inimagináveis há dois anos.
Façam
a leitura do texto "Stanislavski na cena americana", de e responda as seguintes perguntas:
1) O
que os atores norte-americano da velha guarda "viram" nas primeiras
apresentações do teatro russo que os deixaram maravilhados?
2) O
que é o tal "ensamble" que o texto cita?
3) O
texto não esclarece. Portanto, quais seriam as distinções entre a memória
afetiva e o papel imaginário para Stanislavski?
4)
Porque esse tipo de interpretação era ligada a "esquerda" (e não vale
escrever que porque era vinda dos russos comunistas...)
Por
favor, respondam, imprimam e entreguem no dia 17/9. Não aceitarei via
e-mail, ok? Valor: 5 pontos. Neste dia, vamos assistir "Um de nós morrerá", de Arthur Penn, um legítimo expoente da escola stanislaviskiana norte-americana. Para que melhor possamos usufruir do filme, nossa aula, então, neste dia 17, acontecerá no Auditório 2, no segundo andar, do campus Aymorés, no mesmo horário de 7:35. Em seguida, no mesmo local, faremos a aula/debate conjunta com o Prof. Ataídes e seus alunos. O mesmo filme também estará em cartaz no Cine Repertório, no dia 16, às 19 horas,
no mesmo local. Caso você queira assistir neste dia e horário, poderá vir
apenas para a segunda parte da aula conjunta.
Por Teté Ribeiro, colaboração para a UOL, Los Angeles - 06/11/2009
O
ator, comediante e músico Jamie Foxx, 41, gosta de dar entrevistas. Já o
entrevistei pelo menos três vezes nos últimos anos, pelos filmes
"Dreamgirls", "O Reino", e "O Solista", que estreia esta sexta no
Brasil. Nas duas vezes anteriores, ele já chegou à sala falando, fazendo
piada ou uma imitação de alguém famoso. Quem ainda não o viu imitando o
presidente Obama que corra para a internet.
Dessa vez
foi diferente. Ele estava mais quieto, introspectivo, fazendo da
entrevista um momento quase íntimo. Não é para menos. Jamie Foxx tinha
uma história pessoal dramática para contar. Durante as filmagens de "O
Solista", o ator, que vive o músico esquizofrênico Nathaniel Ayres no
longa, teve que ser monitorado constantemente e precisou da ajuda de um
terapeuta quando começou a confundir sua vida com a do personagem. O
diretor do filme, o inglês Joe Wright (de "Atonement"), chegou a sugerir
que ele desistisse do papel, mas o ator decidiu enfrentar seu medos e
traumas e ir em frente.
E o filme que estreia agora
também conta uma história comovente, baseada em um caso real. Em 2005, o
colunista Steve Lopez (Robert Downey Jr. no filme), do jornal Los
Angeles Times, viu um morador de rua tocando um violino com apenas duas
cordas. Parou para conversar e descobriu que seu nome era Nathaniel
Ayers, e que ele tinha sido aluno de Juilliard, uma das escolas de
música mais prestigiosas dos EUA, em Nova York. Abandonou os estudos
porque sofria de esquizofrenia. Também por causa da doença, Nathaniel
não conseguia funcionar normalmente na sociedade. Acabou morador de rua.
O
jornalista da Califórnia publicou uma série de colunas a respeito de
sua relação com Nathaniel, de todos os problemas que o músico
enfrentava, e como a sociedade não está preparada para lidar com
distúrbios mentais. As colunas fizeram tanto sucesso que viraram livro.
Agora, a história de Nathaniel e Steve virou cinema. E o filme fez os
demônios que vivem dentro do ator Jamie Foxx ameaçarem aparecer.
UOL - Você está completamente diferente neste filme, quase irreconhecível. O que você mudou?
Jamie Foxx
- Eu ando por aí com esses dentões brancos falsos que parecem um piano.
Então fui a um dentista e disse: 'vou fazer papel de mendigo em um
filme, mas o público não vai acreditar no personagem se ele tiver esses
dentes super limpos e brilhantes, o que você pode fazer para eu parecer
mais mal tratado?'. Ele disse que podia diminuir o tamanho e fazer uns
quebrados, aí a maquiagem dava uma escurecida neles na maquiagem. Minha
empresária estava comigo na sala e quase não me deixou fazer isso. Mas
eu insisti e acho que realmente ajudou. Também raspei minha sobrancelha e
acho que as duas coisas juntas fizeram o personagem não parecer comigo.
Depois tive que refazer tudo, usar aparelho, foi um inferno. Mas valeu a
pena.
UOL - O diretor, Joe Wright, me disse que
você ficou preocupado com você no set porque parecia que estava indo
muito fundo nos problemas psicológicos do personagem e ele tinha medo
que você sofresse alguma consequência séria.
Jamie Foxx
- É, porque eu já passei por um episódio psiquiátrico bem assustador na
vida. Quando tinha 18 anos, estava em uma festa e alguém achou que
seria uma boa idéia botar alguma coisa no meu copo e não me avisar. Acho
que era PCP. Eu fiquei completamente maluco, em pânico, achei que tinha
perdido o controle da minha mente. Desde de criança tenho um medo
inexplicável de que um dia vou enlouquecer, e essa noite achei que tinha
acontecido. Acabei no hospital.
UOL - Foi internado ou apenas passou pelo pronto-socorro?
Jamie Foxx
- Passei pelo pronto-socorro, o que aconteceu de fato não foi tão sério
como o que desencadeou dentro de mim. Tomei um soro e voltei para o meu
dormitório na faculdade na mesma noite, mas os 11 meses seguintes foram
uma tortura psicológica. Passei a viver em pânico, quem salvou minha
vida foi o meu colega Mark, que dividia o dormitório comigo e toda noite
conversava comigo, me dizia que o meu medo não era real, que eu tinha
sido drogado, não estava ficando louco. Quando li esse roteiro vi os
paralelos da vida do personagem com o episódio que eu vivi 20 anos
atrás, e foi o que me fez aceitar o papel. Mas antes de começar as
filmagens comecei a ficar muito ansioso, sem saber exatamente o que era
real e o que não era, comecei a achar que era o personagem. Então o Joe
(Wright, diretor) me procurou e disse que se eu não quisesse fazer o
papel ele entendia e procurava outro ator, mas acreditava que isso
poderia ajudar minha performance, desde que eu tivesse assistência
durante o processo. Aí eu quis ir em frente.
UOL - E quem te ajudou durante as filmagens?
Jamie Foxx
- O diretor, na maior parte das vezes. Quando ele via que a cena tinha
acabado e eu continuava meio avoado, sentava do meu lado e me dizia
'isso é real, isso não é real, você é um ator, ele é o personagem etc'.
Foi bem esquisito e cobrou um preço alto, mas acho que é minha melhor
atuação até agora.
UOL - O Robert Downey Jr. não te falou sobre a experiência dele com drogas?
Jamie Foxx
- Falou, ele fala muito disso, não tem vergonha nem constrangimento de
nada do que aconteceu com ele. Mas o meu problema não era droga, era
paranoia, pânico. Ficamos muito próximos, eu adoro ele, considero um
grande amigo hoje em dia. E ele é tão melhor ator do que eu, é
impressionante (risos). Parece que atuar é muito fácil para o Robert,
ele tem um instinto incrível, descobre as emoções de cada cena na
primeira vez que lê.
UOL - PCP é uma droga muito poderosa. A experiência te assustou para sempre?
Jamie Foxx
- Claro, esse negócio de droga nunca me atraiu, nem antes, mas
principalmente depois. Eu tive que ler muito a respeito, porque tive
alguns flashbacks na vida. Tive aos 26, aos 32 e nos 11 meses seguintes
àquela experiência. Não é exatamente o efeito da droga que volta, mas a
reação que desencadeia no seu corpo pode voltar a acontecer. Chama
estress pós-traumático.
UOL - O que a droga te faz sentir?
Jamie Foxx
- Essa é a droga do horror. Para mim, fez com que eu experimentasse os
meus piores pesadelos. Sob efeito dela eu tinha medo do escuro, achava
que a TV estava falando comigo e as coisas estavam saindo para vir me
matar. É uma grande paranoia.
UOL - Você não fez terapia?
Jamie Foxx
- Fiz, claro, não poderia ter me livrado dos meus demônios sem terapia.
Já tinha feito algumas vezes, mas voltei quando comecei a me sentir
esquisito por causa desse personagem. Agora parei, acho que foi um susto
que passou e até que para o tanto que eu poderia ser maluco, funciono
bem direitinho (risos).
UOL - Você
conheceu bem o Nathaniel Ayres, o seu personagem? A vida dele é ainda
bem parecida com a forma como é retratada no fim do filme, não?
Jamie Foxx
- É, ele continua daquele mesmo jeito, juntando uma idéia na outra e
fazendo muitas digressões durante uma conversa. Quem o conhece diz que
eu o retratei muito bem, ele tem aquele jeito de falar que eu faço no
filme. Tenho bom ouvido, estudei muita música, acho que isso ajuda muito
na hora de pegar o ritmo da fala de uma pessoa, por isso eu tendo a
fazer boas imitações.
UOL - E ele sabia quem você era?
Jamie Foxx
- Quando me apresentaram a ele pela primeira vez ele disse 'Jamie Foxx,
Jamie Foxx, eu sei quem você é, conheço esse nome mas seus filmes nunca
passam perto da minha casa mas também se passassem eu talvez não
soubesse dizer porque não vou muito ao cinema sabe as vezes prefiro eu
mesmo ser o artista em vez de estar na plateia' (risos). Cada frase dele
dura uns 3 minutos e tem mil começos, mil meios e muitas vezes nenhum
fim. E tem dias mais calmos e outros mais agressivos, tem dias que ele
tem vontade de socializar e outros que não quer conversar com ninguém.
UOL - E você chegou a tocar com ele?
Jamie Foxx
- Não, eu só o assisti tocando. Ele sabia que eu também era músico mas
estava ali como ator e para interpretá-lo, e acho que gostou disso,
porque ele tocou muito para a gente ver. E é quando fica mais calmo,
mais tranquilo, é o jeito que ele gosta de ter gente por perto. Eu
ficava imaginando que aquelas pessoas de quem ele sempre fala, as
pessoas com quem ele tem todos os debates mentais, se sentam para
assistir quando ele toca. Tem um efeito calmante para ele.
UOL - E o que tem esse mesmo efeito para você? Gravar música, fazer comédia ou seu trabalho como ator?
Jamie Foxx
- Nenhum deles, o que eu faço que me tira qualquer problema da cabeça é
jogar ping-pong. Quem me vê jogando não acredita, sério que eu sou bom
de ping-pong (risos). Podia jogar profissionalmente se quisesse (mais
risos). Graças a Deus não preciso de uma nova profissão, mas esse jogo
despertou uma coisa muito terapêutica, descobri que o melhor jeito de
lidar com meus problemas é mexer com alguma coisa fora de mim. Meditação
não é comigo, sou muito ativo e competitivo, ia ter que ser o melhor
meditador do mundo (risos), ia ter que ser o cara que fica 78 horas
meditando sem se mexer.
UOL - E seu senso de humor, não te ajuda?
Jamie Foxx
- Claro que ajuda. A não ser quando atrapalha (risos). Mas acho que
tudo que eu faço me ajuda, me expresso de todas as maneiras possíveis. E
assim consigo que minha vida tenha atividade suficiente para eu não
enlouquecer. Não sei como eu sobreviveria sendo um bancário que mora no
subúrbio e chega em casa todas as noites para jantar com a família. Não
poderia ter uma vida pacata, normal. Por sorte tenho algum talento e sou
bem bonitinho, aí consigo viver dessa outra maneira.
Prezado(a)s, opinem sobre a entrevista e o método de construção do personagem pelo ator e pelo diretor.
Prezados, façam suas análise sobre as três etapas mostradas aqui, do filme Romance (2008), de Guel Arraes. Na sua opinião, qual a importância de cada uma e como você vê a relação entre elas nos videos acima.