segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"Achei que ia ficar louco durante as filmagens", diz Jamie Foxx, ator de "O Solista"



Por Teté Ribeiro, colaboração para a UOL, Los Angeles - 06/11/2009

O ator, comediante e músico Jamie Foxx, 41, gosta de dar entrevistas. Já o entrevistei pelo menos três vezes nos últimos anos, pelos filmes "Dreamgirls", "O Reino", e "O Solista", que estreia esta sexta no Brasil. Nas duas vezes anteriores, ele já chegou à sala falando, fazendo piada ou uma imitação de alguém famoso. Quem ainda não o viu imitando o presidente Obama que corra para a internet.

Dessa vez foi diferente. Ele estava mais quieto, introspectivo, fazendo da entrevista um momento quase íntimo. Não é para menos. Jamie Foxx tinha uma história pessoal dramática para contar. Durante as filmagens de "O Solista", o ator, que vive o músico esquizofrênico Nathaniel Ayres no longa, teve que ser monitorado constantemente e precisou da ajuda de um terapeuta quando começou a confundir sua vida com a do personagem. O diretor do filme, o inglês Joe Wright (de "Atonement"), chegou a sugerir que ele desistisse do papel, mas o ator decidiu enfrentar seu medos e traumas e ir em frente.

E o filme que estreia agora também conta uma história comovente, baseada em um caso real. Em 2005, o colunista Steve Lopez (Robert Downey Jr. no filme), do jornal Los Angeles Times, viu um morador de rua tocando um violino com apenas duas cordas. Parou para conversar e descobriu que seu nome era Nathaniel Ayers, e que ele tinha sido aluno de Juilliard, uma das escolas de música mais prestigiosas dos EUA, em Nova York. Abandonou os estudos porque sofria de esquizofrenia. Também por causa da doença, Nathaniel não conseguia funcionar normalmente na sociedade. Acabou morador de rua.

O jornalista da Califórnia publicou uma série de colunas a respeito de sua relação com Nathaniel, de todos os problemas que o músico enfrentava, e como a sociedade não está preparada para lidar com distúrbios mentais. As colunas fizeram tanto sucesso que viraram livro. Agora, a história de Nathaniel e Steve virou cinema. E o filme fez os demônios que vivem dentro do ator Jamie Foxx ameaçarem aparecer.


UOL - Você está completamente diferente neste filme, quase irreconhecível. O que você mudou?

Jamie Foxx - Eu ando por aí com esses dentões brancos falsos que parecem um piano. Então fui a um dentista e disse: 'vou fazer papel de mendigo em um filme, mas o público não vai acreditar no personagem se ele tiver esses dentes super limpos e brilhantes, o que você pode fazer para eu parecer mais mal tratado?'. Ele disse que podia diminuir o tamanho e fazer uns quebrados, aí a maquiagem dava uma escurecida neles na maquiagem. Minha empresária estava comigo na sala e quase não me deixou fazer isso. Mas eu insisti e acho que realmente ajudou. Também raspei minha sobrancelha e acho que as duas coisas juntas fizeram o personagem não parecer comigo. Depois tive que refazer tudo, usar aparelho, foi um inferno. Mas valeu a pena.

UOL - O diretor, Joe Wright, me disse que você ficou preocupado com você no set porque parecia que estava indo muito fundo nos problemas psicológicos do personagem e ele tinha medo que você sofresse alguma consequência séria.

Jamie Foxx - É, porque eu já passei por um episódio psiquiátrico bem assustador na vida. Quando tinha 18 anos, estava em uma festa e alguém achou que seria uma boa idéia botar alguma coisa no meu copo e não me avisar. Acho que era PCP. Eu fiquei completamente maluco, em pânico, achei que tinha perdido o controle da minha mente. Desde de criança tenho um medo inexplicável de que um dia vou enlouquecer, e essa noite achei que tinha acontecido. Acabei no hospital.


UOL - Foi internado ou apenas passou pelo pronto-socorro?

Jamie Foxx - Passei pelo pronto-socorro, o que aconteceu de fato não foi tão sério como o que desencadeou dentro de mim. Tomei um soro e voltei para o meu dormitório na faculdade na mesma noite, mas os 11 meses seguintes foram uma tortura psicológica. Passei a viver em pânico, quem salvou minha vida foi o meu colega Mark, que dividia o dormitório comigo e toda noite conversava comigo, me dizia que o meu medo não era real, que eu tinha sido drogado, não estava ficando louco. Quando li esse roteiro vi os paralelos da vida do personagem com o episódio que eu vivi 20 anos atrás, e foi o que me fez aceitar o papel. Mas antes de começar as filmagens comecei a ficar muito ansioso, sem saber exatamente o que era real e o que não era, comecei a achar que era o personagem. Então o Joe (Wright, diretor) me procurou e disse que se eu não quisesse fazer o papel ele entendia e procurava outro ator, mas acreditava que isso poderia ajudar minha performance, desde que eu tivesse assistência durante o processo. Aí eu quis ir em frente.

UOL - E quem te ajudou durante as filmagens?

Jamie Foxx - O diretor, na maior parte das vezes. Quando ele via que a cena tinha acabado e eu continuava meio avoado, sentava do meu lado e me dizia 'isso é real, isso não é real, você é um ator, ele é o personagem etc'. Foi bem esquisito e cobrou um preço alto, mas acho que é minha melhor atuação até agora.

UOL - O Robert Downey Jr. não te falou sobre a experiência dele com drogas?

Jamie Foxx - Falou, ele fala muito disso, não tem vergonha nem constrangimento de nada do que aconteceu com ele. Mas o meu problema não era droga, era paranoia, pânico. Ficamos muito próximos, eu adoro ele, considero um grande amigo hoje em dia. E ele é tão melhor ator do que eu, é impressionante (risos). Parece que atuar é muito fácil para o Robert, ele tem um instinto incrível, descobre as emoções de cada cena na primeira vez que lê.


UOL - PCP é uma droga muito poderosa. A experiência te assustou para sempre?

Jamie Foxx - Claro, esse negócio de droga nunca me atraiu, nem antes, mas principalmente depois. Eu tive que ler muito a respeito, porque tive alguns flashbacks na vida. Tive aos 26, aos 32 e nos 11 meses seguintes àquela experiência. Não é exatamente o efeito da droga que volta, mas a reação que desencadeia no seu corpo pode voltar a acontecer. Chama estress pós-traumático.


UOL - O que a droga te faz sentir?

Jamie Foxx - Essa é a droga do horror. Para mim, fez com que eu experimentasse os meus piores pesadelos. Sob efeito dela eu tinha medo do escuro, achava que a TV estava falando comigo e as coisas estavam saindo para vir me matar. É uma grande paranoia.


UOL - Você não fez terapia?

Jamie Foxx - Fiz, claro, não poderia ter me livrado dos meus demônios sem terapia. Já tinha feito algumas vezes, mas voltei quando comecei a me sentir esquisito por causa desse personagem. Agora parei, acho que foi um susto que passou e até que para o tanto que eu poderia ser maluco, funciono bem direitinho (risos).


UOL - Você conheceu bem o Nathaniel Ayres, o seu personagem? A vida dele é ainda bem parecida com a forma como é retratada no fim do filme, não?

Jamie Foxx - É, ele continua daquele mesmo jeito, juntando uma idéia na outra e fazendo muitas digressões durante uma conversa. Quem o conhece diz que eu o retratei muito bem, ele tem aquele jeito de falar que eu faço no filme. Tenho bom ouvido, estudei muita música, acho que isso ajuda muito na hora de pegar o ritmo da fala de uma pessoa, por isso eu tendo a fazer boas imitações.


UOL - E ele sabia quem você era?

Jamie Foxx - Quando me apresentaram a ele pela primeira vez ele disse 'Jamie Foxx, Jamie Foxx, eu sei quem você é, conheço esse nome mas seus filmes nunca passam perto da minha casa mas também se passassem eu talvez não soubesse dizer porque não vou muito ao cinema sabe as vezes prefiro eu mesmo ser o artista em vez de estar na plateia' (risos). Cada frase dele dura uns 3 minutos e tem mil começos, mil meios e muitas vezes nenhum fim. E tem dias mais calmos e outros mais agressivos, tem dias que ele tem vontade de socializar e outros que não quer conversar com ninguém.


UOL - E você chegou a tocar com ele?

Jamie Foxx - Não, eu só o assisti tocando. Ele sabia que eu também era músico mas estava ali como ator e para interpretá-lo, e acho que gostou disso, porque ele tocou muito para a gente ver. E é quando fica mais calmo, mais tranquilo, é o jeito que ele gosta de ter gente por perto. Eu ficava imaginando que aquelas pessoas de quem ele sempre fala, as pessoas com quem ele tem todos os debates mentais, se sentam para assistir quando ele toca. Tem um efeito calmante para ele.


UOL - E o que tem esse mesmo efeito para você? Gravar música, fazer comédia ou seu trabalho como ator?

Jamie Foxx - Nenhum deles, o que eu faço que me tira qualquer problema da cabeça é jogar ping-pong. Quem me vê jogando não acredita, sério que eu sou bom de ping-pong (risos). Podia jogar profissionalmente se quisesse (mais risos). Graças a Deus não preciso de uma nova profissão, mas esse jogo despertou uma coisa muito terapêutica, descobri que o melhor jeito de lidar com meus problemas é mexer com alguma coisa fora de mim. Meditação não é comigo, sou muito ativo e competitivo, ia ter que ser o melhor meditador do mundo (risos), ia ter que ser o cara que fica 78 horas meditando sem se mexer.


UOL - E seu senso de humor, não te ajuda?

Jamie Foxx - Claro que ajuda. A não ser quando atrapalha (risos). Mas acho que tudo que eu faço me ajuda, me expresso de todas as maneiras possíveis. E assim consigo que minha vida tenha atividade suficiente para eu não enlouquecer. Não sei como eu sobreviveria sendo um bancário que mora no subúrbio e chega em casa todas as noites para jantar com a família. Não poderia ter uma vida pacata, normal. Por sorte tenho algum talento e sou bem bonitinho, aí consigo viver dessa outra maneira.


Prezado(a)s, opinem sobre a entrevista e o método de construção do personagem pelo ator e pelo diretor.

19 comentários:

  1. Muito interessante, a forma de construir o personagem pelo ator e o diretor, um ajudando o outro o melhor mais o um no caso o diretor, bem realmente interpretar um personagem com um problema mental serio como este e a chance do ator ficar como o personagem é muito grande, pois os atores são a esponja de sentimentos e reações, se não tomar cuidado como o Jamie tomou de procurar um profissional (psicólogo), ele poderia ter pirado. E Jamie Foxx é um senhor ator.

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  2. O ator emprestou muitas coisas da vivencia dele pra emprestar pro personagem e o diretor foi muito feliz em dar uma assistência psicológica pro ator o que forneceu os recursos para se fazer um grande personagem sem adoecer psicologicamente.

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  3. Jamie Foxx usou e abusou do método Stanislaviki, usou uma experiência do seu passado, uma experiência semelhante ao do personagem, também aderiu ao fisico parecido com o do personagem. Acho um ótimo método, pois Jamie não se mostrou preocupado com o status de ator de Hollywood, ele se importou pelo personagem e o filme, por isso sacrificou os dentes e as sobrancelhas, são poucos atores e atrizes que se entregam assim a um personagem. Natalie Portman e Christian Bale que emagreceram muito pelos respectivos Cisne Negro e O operário, Charlize Theron que engordou e também raspou as sobracelhas em Desejo Assassino. Gosto também do fato de Jamie tentar imitar os personagens que são inspirados em personalidades sociais, o próprio que ja interpretou Ray Charles e ganhou o oscar de melhor ator por esse filme, onde a imitação é perfeita, enfim adimiro muito os métodos adotados por Jamie Foxx. O diretor teve também um papel fundamental, ja que ele prestou ajuda psicologica para que Jamie continuasse a interpretar o papel,durante conversas, conversas essas que traziam Jamie de volta a realidade, também gosto muito desse forma de direção, é como se fosse uma troco interrupta de conhecimentos no set de filmagens.

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  4. Eu acredito que antes de mais nada, antes de pensar em se apropriar do método Stanislavisk Jamie Foxx se identificou com o papel e acima de tudo com a história de vida do personagem na vida real.
    Conhece-lo pessoalmente ( Nathaniel ) fez com que o ator pudesse de fato entender como seria interpretar aquele personagem e dali em diante Jamie se dedicou na caracterização e estudo dos hábitos do personagem.
    Sua experiência na juventude ajudou nesse processo de identificação, e por vezes Jamie durante a entrevista expôs isso, nos fazendo perceber que é realmente importante que o ator conheça bem os conflitos e problemas do personagem e que buscar experiências pessoais próximas do que o personagem sofre/vive tem um papel fundamental na transmissão da realidade ao telespectador.
    Além de tudo Jamie se mostrou durante a entrevista consciente dos danos que esse trabalho lhe causou, mas em contrapartida satisfeito com os resultados e visivelmente mudado após essa vivência.

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  5. Na entrevista ele fala que o personagem que ele vai fazer é uma historia real e bastante parecida com a dele (Jamie Foxx), Jamie fala também que teve muita dificuldades de fazer esse papel,mas que quis enfrentar seus medos com esse personagem. Jamie pega esse personagem e investe nele, como se fosse ele no passado, para dar o seu melhor e para tentar enfrentar seus medos reais, através desse personagem. Não foi nenhum pouco fácil para ele, o diretor teve que ajudar muito, para que ele não ficasse louco, estabilizando ele para o mundo real, o diretor foi seu maior amigo para ajudar a se estabilizar e encaixar no personagem, e também alguns psicólogos durante a filmagem e terapia particular. Jamie estudou muito seu personagem, visitou o homem que ele iria interpretar, pegou suas manias, jeitos e tudo. E consegue junto com o diretor, tirar o ''personagem'' de dentro dele, fazer o filme e no final enfrentar seus medos.

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  6. Acho que a melhor forma de se "construir" um personagem, seja essa imersão dentro dele, se transformando durante as filmagens, naquele que está interpretando, muitas vezes (mas não todas), as melhores interpretações aparecem desse processo pelos atores.
    Porém, sem nenhum tipo de exagero, o que pode começar a atrapalhar, podendo atrapalhar no trabalho, na interpretação e até mesmo na vida da pessoa.
    Acho também um pouco exagerado alguns atores se perderem tanto com uma interpretação, como aconteceu nesse caso do post sobre o Jamie Foxx, mas, apesar de não entender como algo assim poderia chegar ao ponto de ocorrer, sei que é possível e que as vezes ocorre, cabendo aos melhores atores conseguirem dividir o ponto de interpretação, de ficção, do ponto em que tem de voltar a realidade, usando desse envolvimento com a ficção, somente até o momento em que é necessário e pelo bem do filme e do personagem que ele vai interpretar.

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  7. Para construir o personagem Jamie Foxx não se limitou apenas a parecer fisicamente com o musico mas observou como ele agia e interagia socialmente com as pessoas e utilizou isso na sua interpretação. O diretor ajudou Jaime a entrar no estado psicológico do personagem e em alguns momentos se preocupou com a profundidade que Jaime interpretava seu personagem porque ele começou a não diferenciar real do não real. Isso aconteceu porque Jaime passou por uma experiencia traumática que envolvia problemas psicológicos e usou esses sentimentos na sua atuação.

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  8. A entrevista fluí de uma forma inacreditável. Jamie Foxx mostra como age um verdadeiro ator, que para ser bom no que se faz precisa realmente se entregar ao personagem, estudar ,fazer todos os conceito sobre,para que possa se ter uma boa atuação. O diretor utilizou o método Stanislavisk, trabalhando no psicológico trazendo experiencias da juventude de Jamie Foxx .O que o ajudou a criar um personagem misturando o real com a ficção.

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  9. Jamie Foxx teve uma imersão muito forte no personagem, os seus medos anteriores o ajudaram a construir mas muitas vezes ele não soube controlá-los da melhor forma para adaptar à ficção. O contraponto foi o diretor que muitas vezes o alertava sobre o que era real ou não.

    Fernanda de Sena

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  10. Temos que tomar todo cuidado do mundo quando se opta por interpretar uma personagem em que as experiências pessoais do ator são levadas em conta na sua construção. Esse é uma processo que pode desgastar muito o ator, podendo até trazer problemas futuros para ele.
    Acredito que quando o ator está disposto a viver um papel complexo, como o vivido por Jamie Foxx, o acompanhamento psicológico é extremamente fundamental não só durante as gravações, mas também por algum tempo depois desse processo.
    Não é facil lidar com seus traumas, ainda mais pra representar a vida de outra pessoa. Por isso deve se tomar muito cuidado com esse método na criação de uma personagem tentando fazer com que isso não não fuja do controle do ator e seja levado para fora do set de filmagem.

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  11. O ator, Jamie Foxx, faz uma imersão muito grande no personagem, ele Quando Jamie começa a procurar experiencias próprias para poder construir a forma de interpretação do personagem ele começa a fazer uma mistura de dois mundos, começa a não diferenciar o que é vida vida real da vida do personagem.

    Um dos pontos que Stanislavski falava em seus inciamentos, era sobre o ator conseguir aproveitar seus vivencia pessoas para construir o personagem, mas conseguir separar para não ter que ficar relembrando momentos tristes e traumáticos da vida, como o exemplo do Jamie Foxx, para construir um personagem.

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  12. Essa relação do ator com o personagem é uma coisa incrível e nessa conversa pode-se perceber a relação de dualidade presente no ator quanto a sua natureza e a natureza do personagem que esta sendo construído, até mesmo, de certa forma, justificando a necessidade de se frequentar uma sala de terapia.. Neste caso estamos tratando de primeiro se conhecer para depois iniciar a transposição desta vida para um personagem ..

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  13. É arriscada uma imersão dessas, principalmente quando as vidas do ator e do personagem se coincidem tanto. Ultrapassa os limites do Método. Penso que talvez, para dar verossimilhança ao personagem na telona seja necessário correr esse mesmo risco que Jamie Foxx correu. Claro que depende de como ele lida com sua arte interpretativa, mas dentro da lógica industrial inevitável, a qual o diretor se vê obrigado a seguir, o ator precisa enfrentar as subjetividades e necessidades que lhe concernem.

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  14. O ator busca viver experiências similares a do personagem, chegando a precisar da ajuda do diretor pra distinguir o que era real do que não era. A imersão no personagem foi tão grande que passou a interferir fortemente no psicológico do ator Jamie Foxx

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  15. Uau, acho muito legal quando o ator se compromete a dar tudo de si para um personagem, mas quebrar os dentes? Acho que tudo tem um limite, né? Afinal, para que serve a maquiagem? rsrs
    Enfim, agora falando sério, acredito que tem certos personagens que tem um perfil psicológico muito profundo e perturbador, e que para que o ator possa interpretar tal papel precisa trazer a memória um momento vivido que tenha gerado uma emoção similar. Minha preocupação é quando ele não consegue mais discernir o que é ele e o que é o personagem. Realmente, nesses casos, o que nos resta como diretores, é sempre dar apoio ao ator e trazê-los a realidade, lembrando-os de que era apenas um personagem. Se um dia eu passar uma situação igual ao do diretor que acompanhou Jamie Foxx, quero ser um suporte ao ator igual ele foi.

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  16. O ator foi bem a fundo na construção de interpretação de seu personagem ao ponto de se confundir com o próprio. O diretor teve um papel importante ao puxá-lo dessa imersão, e dando a dose certa de interpretação.
    Gosto bastante desses atores que não se limitam e que vive o personagem que lhes são dados.

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  17. Ainda não vi o filme para poder dizer se todo esse trabalho que teve o ator Jamie Foxx resultou em uma boa interpretação. Mas já lhe dou créditos por decidir seguir em frente com o papel mesmo tendo ter de enfrentar estes empecilhos. Esse tipo de relação entre ator e diretor é um fator curioso, mostra que o diretor deve estar preparado para ter de assumir algumas responsabilidades fora do padrão de uma produção cinematográfica.

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  18. O método é bom, mas tem suas consequências. Nem todos os atores estão suficientemente preparado para tamanha carga emocional. Apesar dele estar consciente do que é do personagem e do que é dele, outros atores não sabe definir o que foi emprestado do personagem e o que é dele próprio.

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  19. O método é bom, bem utilizado mas ai acho que cabe à historia de cada ator e o que o mesmo viveu no passado para ver se consegue suprir a carga emocional que é dada para que consiga entrar no parsonagem. Vejamos o que aconteceu por exemplo com o ator Australiano Heath Ledger que entrou tão profundamente no personagem que sucumbiu aos próprios ``fantasmas`` do personagem.
    É um método bom, ma um método para se ter cuidado.

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