domingo, 20 de setembro de 2009

Há tanto tempo que te amo de Philippe Claudel



Sumida de cena há alguns anos, a boa atriz inglesa Kristin Scott-Thomas (O Paciente Inglês) brilha neste contundente drama familiar. E falando francês. Ela vive a extremamemnte fechada Juliette, uma mulher que passou 15 anos em um presídio da Inglaterra. Ao sair, é recebida por Lea (Elza Zylberstein, também excelente), sua irmã mais nova, casada, com filhas e vivendo no interior da França. Ainda que a caçula se esforce para manter o ar de normalidade, é evidente o desconforto que o retorno da irmã provoca. Os motivos serão explicados aos poucos. Filme delicado no qual os momento de silêncio são mais importantes que os diálogos.

Resenha publicada na Revista TAM nas Nuvens, ed. 21, setembro/2009.

Caros, vejam o filme (já tem em DVD) e dêem sua própria opinião, mas com ênfase na interpretação das atrizes. O que deve ter sido, para elas, o mais difícil na construção das personagens? E para o diretor?

24 comentários:

  1. BUENOS DIAS! Bom,acho que o que deve ter sido mais difícil na interpretação das atrizes ,é o "time",já que o silêncio tensiona e dificulta muitas vezes a relação na cena,colocando-as frente a frente com a internalização do personagem,e tendo ao mesmo tempo que manifestar de maneira delicada,dolorosa ,a história e a maneira como cada personagem vive seu universo e observa o dos outros.
    o diretor ,deve ter feito um trabalho de sensação com suas atrizes,colocando-as dispostas a viverem de fato a história,processada em primeiro plano no íntimo,para depois ficar aflorada no corpo e na atuação.

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  2. Acredito que o "quê" das interpretações nesse filme esteja justamente no silêncio. É por meio dele que uma relação ou um pensamento é exposto por entrelinhas. Conseguimos sentir através da interpretação, da respiração do personagem, do seu tempo e da forma como o seu próprio corpo está posicionado. Os personagens "falam" com os olhos e com o corpo.

    O diretor deve ter feito um trabalho dentro dessa construção do personagem, como se as atrizes, principalmente a protagonista, estivesse vivenciando na carne aquela história. Percebemos que há uma entrega da relação ator x personagem. Percebemos o personagem e acreditamos nele.

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  3. Tendo em vista nossas discussões na sala de aula hoje, em relação ao método do Stanislavski. Para interpretar os papeis das irmãs, acredito que o trabalho vai todo no passado dessas personagens. Como era a vida delas antes da prisão de uma delas, o que aconteceu no período em que uma das irmãs estava preso. Toda uma construção de memória emotiva, afetiva e fisica também, para que se consiga interpretar por meio de expressões, sentimentos expostos por maneiras de agir de cada uma delas.
    Em fim, as atrizes deveriam transparecer uma naturalidade das vidas vividas por cada personagem no filme que não conta a vida toda delas. Acredito que isso deve ter sido o mais dificil.

    Arthur B. Senra - 7º período manhã

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  4. Sem palavras para descrever. A atriz principal é sensacional! Ela emociona, toca qualquer um.

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  5. Particularmente acredito que papéis que desenvolvem personagens que sofrem algum tipo de discriminação ou preconceito devem ser estudado e trabalhado com todo e merecido cuidado. Tanto para o ator, quanto diretor que vai dirigir e instruir! E a atriz Kristin ScottThomas, que interpretou uma ex-presidiária soube dá o "tempero" exato a personagem que sofre de uma discriminação social. Todo o drama pessoal que ela viveu e ainda vive é retratado por seu olhar triste, profundo e perdido. O diretor apenas completou a excelente atuação da personagem ao comandar todo o grupo de atores que cercam a trama da personagem!


    Felipe de Castro
    período/noite

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  6. A interpretação exigiu muito das personagens, principalmente trabalhar com esta trama de ficar em silêncio e a partir daí desenvolve um contexto diferente para as personagens sob a direção do diretor. Os passos são trabalhar melhor sensações e experiências vividas pelas as próprias personagens. Acredito que o silêncio também identifica para uma pessoa um sentido e resposta. Basta atribuir suas concepções e experiências vividas para poder interpretar determinado personagem.

    Tiago Alves.

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  7. Acredito que mais do que em outras produções, a bagagem emocional de cada uma que realmente fez a diferença para suas atuações neste trabalho. Apesar de sabermos que a técnica, a experiência e o ensaio são fundamentais, Kristin Scott-Thomas com certeza se viu desafiada ao ser convidada para fazer um papel em uma língua que não a sua língua mãe. Isso já coloca uma barreira para o ator, uma vez que a linguagem é seu principal meio de comunicação. Contudo, tenho certeza que sua experiência morando na França aos 19 anos como babá foi fundamental para este trabalho, porém por algo muito além de apenas a barreira de linguagem, mas para poder passar com muita veracidade o sentimento de não pertecimento e de ser um estrangeiro em uma casa, que supostamente deveria ser seu novo lar.

    Sarah Passos - 7º período manhã

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  8. Confesso não assistir o filme todo apenas alguns trecho, mas
    Algumas amigas assistiram e disseram que as atuações de Kristin Scott-Thomas e Elza Zylberstein foram brilhantes. E o engraçado que minhas amigas perguntaram como elas conseguiram transmitir tão bem aquelas emoções.

    Mas penso que não existe um método único e nem certo para trabalhar emoções do ator. Porque cada pessoa é única, e cada ator é único, e trabalha nos seus limites, trazendo a sua bagagem pessoal. Essa bagagem é composta de experiências e vivencia cotidiana.
    O trabalho de preparação é muito importante, para ativar as memórias necessárias que ajudam as compor os sentimentos. Como discutimos em sala de aula sobre o método de Stanislaviski. O trabalho do ator, de uma atriz e fazer que acreditemos naquele personagem. Entender que aquele sofrimento vivido cena por cena é real, criar uma identificação. As técnicas ajudam, mas uma boa direção também consegue explorar de uma atriz a emoção certa. Para isso acontecer é preciso que o diretor e a atriz tenham respeito, segurança e confiança no trabalho que estão fazendo. O melhor é que você vá descobrindo as personagens cena por cena, gesto, fala.


    Shirley 7º período – manhã

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  9. Ana Luiza Savassi

    Tratar emoções com veracidade é um desafio. Ainda mais quando essas emoções são transmitidas através do silêncio. Concordo quando meu colegas afirmam que deve ter sido feito um trabalho bem intenso na questão da montagem dos personagens. As atrizes com certeza devem ter passado por uma preparação de atores "violenta" até chegarem a ponto de realmente serem aquelas duas persoganes. Entenderem, compreenderem o que elas passaram. Só acreditando nisso elas conseguiram transmitir ao publico e fazer ele acreditas nesta bagagem, neste passado das personagens. Atuação realmente formidável.

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  10. Foi para mim um trabalho de relação mútua sem duvida,não duvido que as personagens carregam uma bagagem artirtica muito grande para passar esta credibilidade ao espectador, quanto o trabalho do diretor deve ter sido como um artesão que pega um barro e molda uma estatueta levando quase à perfeição, sorte ou uma pesquisa, uma busca do que ele realmente quer apresentar.

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  11. Na arte de interpretar não basta a decoreba de textos, tem é que saber atuar, o que está bem claro no video acima.Nas cenas onde não há uma palavra se quer o espectador parece que está dentro da cena e vivencia e sente todas as emoções que ali demonstra o ator.É o resultado da tecnica aliada ao dom do ator, sem falar na participação fundamental do diretor...
    Gláucio.

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  12. Bom o Arthus disse uma coisa importante mesmo. O passado das personagens quando construído a altura, deve dar o tom ao filme e a interpretação das atrizes. Os momentos que viviam juntas antes durante e depois da prisão de uma delas. Basicamente ele falou o que eu também pensei. As atrizes deve ter feito um trabalho grande, um laboratório bem construído para poder compor essas personagens como mencionou a Fernanda no seu post. Como disse o Glaucio também , além do texto escrito está o que o ator tem dentro de si, amarrado ao sua bagamem de vida, seu cabedal de conhecimento do mundo e tc , embora o Brad Pitt na sua entrevista disse não gostar disso . Ele fica numa posição confortável de não errar , enquanto que as atrizes desse filme se arriscam mais , muito mais em viver uma vida de imagina que teria sido vivida ... Algo assim meio lúdico mesmo.

    Leonardo Diniz

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  13. Kristin Scott-Thomas tem algo muito dela no seu olhar. É uma característica importantíssima do ator, presente nos grandes. Isto estava em Encantados de Cavalos e se repete aqui, em um filme que claramente cobra dela essa postura de olhar.

    Esse olhar traz o passado a nós, traz ambiguidade, frustração, vulnerabilidade, e isso parece nos sugar para dentro da história sendo contada.

    Gabriel Martins
    7º periodo - Manhã

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  14. Acredito que a construção dos personagens tenha sido muito boa para dar suporte às atrizes para trabalharem. Quando o silêncio é um elemento importante, acaba exigindo mais das atuações pois as emoções são transmitidas sem a ajuda da fala. E como o filme é falado em francês, acredito que tenha sido um desafio para Kristin Scott-Thomas interpretar em uma língua diferente a sua.

    Laís Oliveira

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  15. Se é dificil para alguns atores passar sentimentos com falas imagina em silencio? temos muitos atores que mesmo com texto nao conseguem o que a atriz conseguiu. E como disse a Sarah, a bagagem emocional da atriz conta muito, sem falar que ela deve ter tido uma boa preparação e um bom tempo de ensaios para conseguir transmitir esses sentimentos tão bem.

    Carlos Alexandre
    7º periodo - manhã

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  16. Bom dia, boa tarde e boa noite galera!!!
    Vou tentar fazer meu comentário com base no que le de vocês amiguinhos, ainda não tive a oportunidade de ver o filme.

    Em primeiro lugar, eu tenho comigo que um dos papeis mais dificeis de ser interpretado é um personagem que tem alguma relação com prisão ou é ex preso. Pois ainda nos dias de hoje, ninguem sabe ao certo como esses seres são recebidos na sociedade.
    Um interpretação convincente tem que carregar certos toques de realidade ou que se aproximar ao mais real possível. Como o Gabriel disse, a formar de trabalhar o olhar é muito importante em minha concepção. O olhar de um ex presidiário sempre guardar um certo ar de desconfiança e de medo da realidade fora das grades.

    Abraços

    André Ferreira Santana

    7º cinema e vídeo - manhã

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  17. Acho que o mais difícil para a interpretação das atrizes é realmente o silêncio. O que dizer para uma pessoa que deveria ser tão próxima, mas que por diversos motivos não o foi por 15 anos! Não há muito o que falar porque o silêncio mosta justamente a dor da separação entre estas duas irmãs que tentam se reaproximar.Para o diretor é importante reafirmar constantemente a sensação de deslocamente entre as duas irmãs que é o objetivo principal do filme.
    Marcela de Oliveira
    7º Período/noite

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  18. Bom, eu não vi o filme, mas gosto dos trabalhos da atriz Kristin Scott-Thomas. Ela é o tipo de atriz que um diretor e um roteirista adoram escrever um papel especialmente para ela. E pelas imagens que eu vi, e pela ótima recepção que o filme e a atriz principal receberam da crítica (Scott-Thomas foi indicada ao Globo de Ouro e outras premiações na temporada de entrega de prêmios do início deste ano) ela deve realmente ter feito muitíssimo bem. A outra atriz não conheço, mas assim como a personagem ex-carcerária feito pela Scott-Thomas, sua personagem da irmã bem-sucedida que a acolhia deve ter exigido um trabalho extra das duas. Estou curioso para ver o filme.

    Lucas Nolasco 7º período / Noite

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  19. Particularmente eu prefiro um cinema silencioso onde há muito a ser dito, do que um cinema falado onde não há nada para se dizer. E o silencio foi a melhor forma que o diretor achou para passar esse desconforto entre as duas irmãs. Para um ator interpretar no silêncio, incorporar o silêncio para dentro de si, e todo o peso e desconforto que este pode causar não deve ser uma tarefa fácil.

    Ana Adélia / 7° Noite

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  20. Creio que interpretar o silêncio, demonstrar no olhar, chorar, sorrir e sentir com os olhos não deve ser nada facíl.
    A atriz deve ter passado por um laboratório criterioso, além da bagagem e do curriculo que já é exepcional. A emoção e a realidade que nos é passado é muito forte. E com certeza não seria qualquer um que conseguiria nos passar isto.

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  21. O silêncio também faz parte da atuação, essa foi uma opção que o diretor escolheu para o filme e que funcionou muito bem, acredito que o diretor deve ter feito um trabalho de interação pessoal entre eles mesmos e entre os demais atores, quando não há muito diálogo no filme a expressão corporal e facil tem que se destacar de modo que a narrativa aconteça de forma poética e prenda a atenção do espectador para o silêncio exposto no filme.

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  22. Um filme com ricas falas é sempre bem vindo, mas quando há uma riqueza tambem corporal ele pode sim dizer tanto quanto muitas falas, e ai o diretor tem que ter uma grande sensibilidade para que o silencio se torne comunicatibo e belo.

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  23. Engraçado, vi esse filme semana passada por causa do titulo, e realmente é incrivel a atuação da atriz Kristin Scott Thomas, o drama de mostrar a rotina de uma personagem que está saindo da prisaõ depois de 15 anos e indo morar com a irmã, que durante esse periodo não tinha mais a presença da outra irmã em seu cotidiano, a tornando uma estranha, a câmera acompanha de perto essa reinserção social, que aos poucos vai se revelando traços de um passado com cicartizes grandes, não foi uma caracterização fácil para a atriz seu personagem tem durante as atuações fortes expressões faciais deixando claro para o público a tensão interior do personagem! O filme é realmente incrivel, e indico a todossss que ainda não pegarão na locadora! Atuação memoravel e roteiro intrigante! Daniel Sellos

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  24. Fiquei muito afim de assistir este filme depois de ver o trailer. É um assunto polemico, porem atual e acho ate q diz respeito a muita gente.
    A atriz, como sempre sensacional, parecendo ter feito um otimo trabalho, sendo bastante elogiada pela critica.
    Clara Cotta
    7° noite

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