terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Crash - No Limite e Amor à flor da pele: Direção de Atores



Por Rafael - Tecnologia & Cinema - Artigos e Ensaios - 07/07/2009

Por estes dias andei assistindo alguns filmes. Escrevi sobre alguns deles. Abaixo segue uma rápida análise sobre a direção de atores de dois filmes belíssimos:

Crash - No Limite (Crash, dir.: Paul Haggis – EUA, 2004). ) e Amor à flor da pele (In The Mood For Love, dir.: Wong Kar Wai – China, 2000 )

Em Amor à flor da pele, observamos uma direção de atores mais disciplinada, rígida, em relação à narrativa. Para Kar Wai, é fundamental a movimentação perfeita dos personagens, seus encontros e desencontros, seu jogo de olhares e gestos. Tudo isso dentro de planos quase sempre estáticos. É importante passar a impressão ao espectador que tudo é feito às escondidas, afinal eles são casados. Uma forma bem curiosa, senão oportuna, é a filmagem distanciada, através de portas, em ambientes apertados etc. O improviso tem pouco espaço em obras como esta de Kar Wai, por isso a necessidade de um controle rígido da marcação de espaços, movimentação e expressões dos protagonistas. Outra coisa interessante reside no fato de que, em nenhum momento, vemos os rostos dos respectivos personagens que estão tendo um caso e que são os cônjuges dos protagonistas. No máximo uma voz e alguém de costas, mas sempre em pequena escala. Eles são “personagens fantasmas” no filme e isso obriga ao espectador construir mentalmente estes “fantasmas”. Nisso entra mais uma vez o ótimo trabalho do casal protagonista, que precisa ajudar o espectador a construir esta imagem, seja através de informações referentes a eles seja através de simulações de situações que poderiam acontecer.

Já em Crash – No limite, temos algo um pouco diferente. Podemos notar uma maior liberdade de ação para o elenco. Ao contrário de Amor à flor da pele, onde a trama volta-se basicamente para dois personagens e seus respectivos cônjuges, Crash possui vários personagens elementares para a história e que, ao longo do filme, serão trabalhados de forma a criarmos fortes identificações. Essa construção dos personagens se dará de forma intensa e bastante clara, em oposição às sutilezas do filme chinês. O uso de muitos exteriores, interiores amplos, a carga excessiva de dramaticidade entre outros, abrem espaço para atuações de improviso, mas intensas.
Portanto, Crash e Amor à flor da pele, apesar de tratar de temas completamente diferentes e trazer certas diferenças em estilo narrativo, possuem uma coisa em comum: a direção de atores como elemento base para uma boa construção narrativa.
 
Prezados, vocês, que assistiram a um dos filmes, concordam com a análise? Se não, comentem sobre as ponderações sobre direção de atores que o articulista fez.

19 comentários:

  1. Não basta ter um roteiro bom, as atuações de um bom ator demonstra o sentimento e a construção de seu
    personagem na narrativa do filme. Quando se tem atuações que deixam a desejar, este podem comprometer o resultado final.
    Sempre é bom ter uma preparação dos atores antes das filmagens para que eles saibam onde se situarem nas cenas, movimentações e expressões que tenham que ser transmitidas.
    (Rafael Ferreira - 31027504)

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  2. Bem, não vi nenhum dos dois filmes, mas pelos trailers e pela descrição do articulista, a grande diferença entre um e outro é que o Amor a Flor da Pele parece ser um filme muito misancenico, ou seja, a mensagem ao telespectador se concentra mais na interação dos personagens com o ambiente, já o Crash parece ser exatamente o oposto, é um filme mais dramático, com mais falas, onde o que se quer dizer ao telespectador é apresentado de maneira mais explícita, acredito que foi isso que o cara do artigo quis dizer com estilos narrativos diferentes, uma mais sútil e a outra mais chocante. Concordo com ele quando finaliza dizendo que a direção de atores foi fundamental em ambos os filmes, pois tanto a interpretação misancenica quanto a dramática, apesar das distinções ambas exigem muito na construção do personagem e da personificação do ator para dar verossimilhança as emoções.
    Danilo André Ferreira_3º_Perído_Cinema e Audiovisual_Noite

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  3. Eu gostei muito da análise feita pelo articulista sobre o filme “Amor à flor da pele”. Em minha opinião, o filme apropria- se da linguagem cênica, e o autor exemplifica isso quando menciona [...] "a necessidade de um controle rígido da marcação de espaços, movimentação e expressões dos protagonistas” (Rafael, Tecnologia & Cinema - Artigos e Ensaios, 2009).

    No teatro muitas vezes o diretor utiliza- se da marcação para domínio do espaço. Podemos exprimir que, o método épico brechtiano foi utilizado pela direção de atores.

    A direção de fotografia também exerce um controle no filme, pelo fato da maior parte da gravação ser em espaços fechados, pode-se controlar a incidência da luz.

    Além disso, a câmera movimenta- se como se estivesse espionando, curiosa e audaciosa. Desse modo, o espectador é posicionado como um espião, que escondido, e de longe, observa as ações dos atores.
    (Jaqueline de Freitas Dias- Cinema e Audiovisual)

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  4. Eu não vi nenhum dos dois filmes, mas pela análise posso dizer que enquanto no filme de Kar wai é usado uma atuação mais discreta e o filme de Crash prioriza as atuações mais abertas com espaço para os atores mostra sua verdadeira atuação. O modo com À flor da pele é filmado, sugere que somos os cúmplices do casal, a fotografia e o clima do filme nos dão essa ideia. Filmagem em ambiente fechado cria o clima de tensão, como se o casal estivesse sendo vigiado e já no filme Crash é o oposto.Nada de atuações contidas e sim, mostrar o verdadeiro sentimento de todos os personagens.

    (Matheus Rodrigues Joseph, Cinema e Audiovisual, UNA, 3°/4° período, Noite)

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  5. Sou o Wilson Lucas Teixeira Rocha (vulgo Lucas)
    Eu concordo com a análise mas acho que o direção de atores não seja importante SOMENTE para esses dois filmes, mas à todos os filmes em que temos atores. Uma boa direção pode ser (e geralmente é) a diferença entre o filme ser um ótimo filme ou um fracasso. Mas concordo que há uma certa peculiaridade na direção de atores desses filmes. Em especial o primeiro. Acho Interessante a perspectiva proposta pela direção desse filme. Mas penso que ela pode ser também um pouco perigosa, já que, na minha opinião o filme fica quase que totalmente a mercê do ator. E se o ator não for bom pode ser que a qualidade do filme sofra com isso. Minha opinião.

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  6. Concordo com análise dos dois filmes.

    No caso o "Amor a flor da pele" temos uma construção de personagens bem delicada, provavelmente por causa dos personagens "fantasmas" como cita o autor do texto. Qualquer problema de atuação teria uma dimensão muito maior que em alguns outros filmes, tudo teve que ser muito bem trabalhado para dar maior veracidade em cena.

    No caso do "Crash" é um filme com uma carga dramatica muito grande. Acredito que o elenco teve uma maior liberdade em relação ao outro filmes, mas não tanto quanto o autor fala. A improvisão era necessária em algumas partes mas acredito que a preparação dos atores também foi muito bem disciplinada.

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  7. Que eu saiba "Amor à Flor da Pele" foi filmado quase que inteiramente no improviso, fora isso a análise é muito boa. Os atores são realmente excelentes, especialmente o Tony Leung, que passa muitas emoções do começo ao fim de forma muito sutil, o que eu acho que é a marca de um ator genial. "Crash: No Limite" tem um elenco ótimo, mas eu acho que nenhum dos atores chamou a atenção pra si e que o Paul Haggis não queria que isso acontecesse. Não imagino qual é a razão de se comparar esses dois filmes tão distintos.

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  8. Eu não vi os filmes (ainda). E talvez devido ao meu pouco conhecimento sobre direção de atores , eu achei a análise muito "óbvia" quando fala da direção de atores e muito "fraca" quando tenta se justificar.

    Acho que ele tava falando mais da proposta narrativa escolhida pelos diretores para cada filme do que propriamente da direção especifica dos atores. Cada narrativa pediu um tipo especifico de mis-en-scene e isso influênciou na criação dos personagens e em suas liberdades em cena, mas não acho que ai estão expostas todo o trabalho de direção de atores.

    Não acho que seja vendo o enquadramento e o mis-en-scene escolhido pelo diretor que analizamos sua direção de atores, mas na "verdade" por traz do personagem construído dentro desse espaço "disponível" para o ator trabalhar.

    Podemos identificar diferentes formas de atuação de acordo com a origem "dramática" de cada ator, mas somente enxergar claramente, se o personagem esta "perfeitamente" adequado para aquele universo ou não.

    Para enxergar algum estilo de direção de atores é preciso conhecer o diretor e suas caracteristicas, não é olhando pro resultado final do filme que vamos enxergar isso, pois diferentes metodos de direção podem chegar ao mesmo resultado final quando o personagem é bem construído.

    Na minha opinião ele estava olhando mais pra estetica de cada filme do que pra direção de atores.

    Fluvio J. Pereira - Cinema e Audiovisual - Noite ( RA 31127836)

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Não vi Amor a Flor da pele então fica dificil tecer uma comparação como o artigo fez, mas as impressões que me recordo do filme Crash é de se tratar de um multiplot em que cada personagem tem seu próprio conflito. Dentro dessa premissa acho a função de direção de atores muito complexa, pois se torna mais complicado construir esses tantos personagens levando em consideração cada biografia. De uma forma geral no filme essa teia de personagens parece funcionar, mesmo não tendo eu achado essa uma historia das mais interessantes.
    André Luis Teixeira RA-31122928

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Não assisti nenhum dos filmes então infelizmente não tenho base para discutir o assunto em questão, portanto, o artigo me pareceu realmente óbvio diante a análise da direção de atores.
    Em relação ao que o autor fala no final, concordo que a direção de atores foi o elemento base para a construção narrativa dos filmes, é claro que existem muitos outros elementos em questão, mas a atuação é um ponto bastante complexo e deve ser especialmente lapidado.

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  13. No filme "Em Amor à flor da pele", relamente as atuacoes sao mais duras e ao mesmo tempo os atores trazem uma expressao facial e no olhar que pontua o clima melancolico do filme. Os planos estaticos reforcam a atmosfera do filme e destaca as interpretacoes concentrada nos sentimentos das personagens e nao no que diz respeito a explorar os cenarios e mise en scene. Ja no filme "Crash" essa mesma atmosfera melancolica nao esta concentrada em apenas um ou dois atores, todos sao protagonistas e as atuacoes sao mais expressivas com relacao a mise en scene, gestos e expressoes mais calorosas. Os atores exploram mais o cenario e os movimentos de camera aproximam o espectador da obra. Enquanto em crash atuacoes e os movimentos de camera levam o espectador para "dentro" da obra, de forma mais intima, em "Amor a flor da pele" o espectador se torna cumplice das personagens sem deixar de manter distancia da obra.

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  14. Não vi "Amor à flor da pele", ainda, porém, assisti um pedaço de Crash. O Crash, além de interpretações com alta carga dramática, tem os planos de câmera, acredito que a interpretação depende um pouco do plano que é utilizado, não podemos pegar uma cena dramática onde precisamos focar no rosto deo ator em um plano aberto. Como diz BETTON, o ator de teatro é um pequeno rosto numa grande sala de teatro, e um ator de cinema é um grande rosto numa pequena tela. Gostei dos planos de Crash, embora não tenha assistido "Amor à flor da pele", pelo que vi no trailer, foi cenários pequenos que não daria para fazer um plano geral, o espaço pequeno levou aos persoangens a carga dramática. Acredito no meu ponto de vista que a representação "depende" um pouco com os demais elementos, o figurino, o cenário, o plano de câmera, o movimento, a música, a entonação da voz, mas não o desconsidero, pois no filme "Dogville" temos somente a representação e o filme ficou com uma carga dramática boa.
    Logo, a direção de atores é umas das técnicas que não deve faltar no cinema, o filme é contato através do ator, e este precisa estar inserido intrinsicamente dentro do personagem.
    Robert Junio da Silva Santos (RA 312112488)

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  15. Bom, a análise foi um pouco fraca, parece q o autor se perdeu falando da estética dos filmes. Mas deu pra perceber que no primeiro é que a construção de atores foi delicada, trazendo uma certa leveza na interpretação dos atores principais.
    No Crash, o peso melancólico recai sobre vários atores, que tiveram um trabalho de centralização dos sentimentos para não ficar confuso com o de outro personagem.

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  16. Eu assisti ao "Crash" e concordo com a colocação de que os atores possuem uma certa liberdade, porém, diante dessa liberdade que o diretor permitiu eu vejo um trabalho de formação dos atores muito intensos, levando ao extremo o que disse Stanislavski com relação à exaustão dos atores para chegar a perfeição.

    Esse trabalho deve ter ocorrido de forma intensa e o diretor deve ter realizado um grande e vasto trabalho de pesquisa sobre o que sentia cada personagem que viviam diferentes situações.

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  17. Realmente os dois filmes possuem interpretações bastante distintas. Mais amor a flor da pele possui um trabalho de atores mais consistente, e as escolhas feitas por Wong Kar Wai, nos mostram isto no filme, como a opção de não revelar a face dos protagonistas. Esta escolha de Wong Kar Wai, torna o trabalho dos atores mais difícil, onde buscam recursos na mise en scene para suprir esta falta.

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  18. Não assisti nenhum dos filmes, eles parecem completamente diferentes. Mas a critica compara as atuações, os cenários e etc.Nós faz refletir em como é importante valorizar esses elementos e também observar como os dois diretores trabalham de maneira diferente. No Crash o diretor dá mais liberdade aos atores, os deixando improvisar e no Amor à flor da pele é mais rígido não dando espaço para isso me lembrando o modo como o Hitchcock trabalhava.
    312113288

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  19. É importante frisar que não existe opção de direção de ator "melhor" que a outra. É tudo uma questão de estética de linguagem. Em "Amor a flor da pele" foi preciso fazer algo que teatral, um certo compasso rítmico, a mise en cene na obra para transmitir a mensagem da direção. Por isso a opção pela meticulosidade nos detalhamentos das ações. Acredito que em "Crash", a dramaticidade constrói a historia e deixa brechas a interpretações. Por isso a possibilidade do improviso é permitido ao elenco.

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