Por Teté Ribeiro - Folha de S. Paulo - 25/08/2013 - 22h04
"Não era nada disso que eu queria", é o que ouve Wagner Moura do diretor sul-africano Neill Blomkamp ("Distrito 9") na primeira leitura do filme "Elysium", que estreia no Brasil no dia 20.
O brasileiro tinha chegado bem preparado para o primeiro trabalho em Hollywood, cenas decoradas e um jeito de falar e andar que treinou em casa.
O diretor, os produtores e os outros atores do filme, nomes como Matt Damon, Jodie Foster e Alice Braga, estão com o texto na mão. A leitura é o momento em que os atores entendem o ritmo um do outro, e o diretor vê seu time unido pela primeira vez.
Mas Wagner, 37, chega pronto e resolve mostrar o que tem. "Todo mundo leu, eu botei meu roteiro de lado e saí fazendo o personagem, com voz rouca, mancando para lá e para cá, gesticulando muito", lembra. "As pessoas foram ficando assustadíssimas." No final, o diretor o chama de lado e sentencia: "Não era nada disso que eu queria". Mas complementa: "Gostei, vamos investir".
É a essência do "axé acting".
Quem explica a técnica é um de seus melhores amigos, o também ator e também baiano Vladimir Brichta: "Baiano não é cool. Se for para errar, a gente erra para cima, nunca para baixo. A gente sangra e transpira pelo personagem".
O termo foi criado por Cacá Diegues, diretor de "Deus É Brasileiro", filme que revelou Wagner, aos 27 anos, em 2003. "Minha tendência como ator é sempre fazer mais. Esse negócio de 'menos é mais' é um chavão", diz.
Dez anos depois, em Hollywood, ouvir "vamos investir", quer dizer alguma coisa. "O personagem tinha um problema na perna, e eu quis usar uma bengala. Pedi ao diretor e, em cinco minutos, tinha 50 bengalas para eu escolher", lembra Wagner. "Essa é a diferença de filmar lá, é muita grana. Os caras te tratam bem. Meu trailer tinha até lareira."
No filme, Wagner interpreta Spider, um mix de hacker e traficante de gente, que descobriu um jeito de transportar os pobres para o mundo dos ricos. A história se passa em 2154, e a Terra, destruída, é controlada por robôs, que usam e descartam os seres humanos, mais ou menos como fazemos hoje com um celular de dois anos atrás.
Prezadas e Prezados, gostaria que vocês comentassem sobre a metodologia, a relação direção-ator e o tal "axé acting".
Eu nunca tinha ouvido falar do termo "Axé acting" antes mas lendo um pouco do texto percebi que já conhecia o método, só não conhecia o nome. A importância desse método é a liberdade que o ator tem , no primeiro contato com o texto, de criar os modos do personagem de acordo com as rubricas contidas no roteiro.A partir dessa experimentação, o diretor pode perceber o que permanece e o que se retira da experimentação do ator. Esse método ajuda o diretor a construir o personagem junto com o ator em questão.- Comentário de Amanda Brant - 3º periodo una
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ResponderExcluirInteressante o método nunca tinha ouvido falar, mas é uma técnica de superação do ator no exagero podendo assim ajudar o diretor e o ator na recriação de um personagem, sem precisar de tanto exaustão, sendo que é próprio do baiano, ou seja se for demais cansa. Mas vendo que tem muita eficácia, por exemplos de grandes atores como o próprio Wagner Moura, Vladimir Brichta, Lazaro Ramos entre vários outros.
ResponderExcluirBom, primeiro, pra mim o ator Wagner Moura é perfeito em suas atuações, e segundo ele realmente estar certo sobre o modo como transpareceu o tratamento e o valor que é a dado a um ator, diferentemente como é aqui no Brasil, Wagner Moura é um ator eficaz e conseguir sair da monotonia monopolizada das redes conhecida como melhores no Brasil que pra mim é uma porcaria que é a Rede Globo, por isso Wagner Moura faz tanto sucesso, pois ele sabe se articular como diz no texto o "axé acting" criado por Cacá Diegues, diretor de "Deus É Brasileiro", pois um personagem tem que se entregar ao ator assim como o ator deve dar a sua vida para o personagem, é assim que se faz um bom personagem, alem do mais, Hollywood tem dinheiro, nome, fama, e tudo de bom para um inicio de uma carreiro promissora.
ResponderExcluirEmerson de lima teixeira 4 periodo manha cinema e audiovisual
Hollywood já sabe que os atores e diretores americanos estão ficando na mesmice, então começam a investir em talentos estrangeiros, aí surgem pessoas como Gal Garcia Bernal, Rinko Kikuchi, Javier Bardem, Marion Cotillard, etc. E Wagner Moura agora na lista, contribuindo com visões e técnicas que podem ajudar até todo o elenco, e além disso apoiado por Alice Braga.
ResponderExcluirAlém disso, o investem em diretores estrangeiros também, que ajuda muito, principalmente para aceitar atuações novas.
Neill Blomkamp, além do bom trabalho que fez em Distrito 9, fazendo um filme de ação completamente diferente, seu ator principal, Sharlto Copley, foi uns dos protagonistas de filmes como esse mais original que eu já vi.
A metodologia em relação a direção-ator deve ser a melhor possivel, em casos o ator vai fazer exatamente da forma que o diretor quer, em outros pode haver uma conversa prévia entre ambos para a melhor construção do personagem. No filme "Volver" do diretor espanhol Pedro Almodóvar, a atriz Penélope Cruz esteve em reuniões com o diretor por dois meses antes do início da gravações do filme, o diretor conta no livro "Conversas com Almodóvar" que eles definiram o modo de andar, de falar, a maquiagem, o cabelo e figurino,e as formas de olhar, tudo foi conversado antes e o filme foi um grande sucesso e um exemplo de metodologia que deu muito certo para esta dupla de profissionais, e não atoa Penélope Cruz trabalha frequentemente em grandes sucessos do diretor. Mas pode variar de diretor e de ator, cada um pode ter sua metodologia, outro bom exemplo é o diretor americano Stanley Kubrick no filme "2001 Uma odisséia no espaço" onde o diretor cansava bastante os atores, ao filmar e refilmar a mesma cena e quando eles estivessem exaustos a próxima tomada seria pra valer, também é uma metodologia, um pouco questionável, mas foi a forma encontrada por Kubrick pra alcançar o que desejava no filme. Quanto ao "Axé Acting" acretido ser a "forma mais sincera de se representar", o ator pode e deve contribuir com sua arte e profissionalismo, pois se for pra ser apenas uma pessoa que vai decorar e fazer o que o diretor mandar, não tem o menor sentido tanto estudo e dedicação por parte do ator, as emoções, sentimentos, ações, gestos, apresentadas pelo ator para contribuir com o projeto é incrivel pois pode tornar um personagem bom, em um muito melhor, o público sente a presença do ator em cena, no caso do Wagner Moura, se o diretor Neill Blomkamp, tivesse dito "não" as sujestões, acretido que o personagem de Wagner Moura seria muito monótono e sem credibilidade, como se ele so estivesse ali repetindo o que está no roteiro.
ResponderExcluirNeill Blomkamp ficou no mínimo surpreso diante da metodologgia Axé Acting, mas acredito que a eficácia do método se consista na doação do ator ao personagem.
ResponderExcluirA entrega feita por Wagner Moura foi evidente, ele não se deixou prender pelo roteiro em sim, mas incorporou todo espírito do personagem.
É importante que seja concedida certa liberdade para o ator.
Acredito também que atuar seja um pouco liberta-se, mais que criar uma persona, o ator deve viver a cena.
A relação diretor-ator me remete um pouco do realismo italiano, no "uso" de pessoas comuns, característicos do cinema de baixo custo.
Exemplo disso foi o filme "Ladrões de Bicicleta" de Vitorio De Sicca, na cena em que o menino vê seu pai sendo encurralado por transeuntes após roubar uma bicleta, ele chora. E para construção da cena, o diretor simulou o sumiço de um determinado objeto no set de filmagens e em seguida acusou o menino de rouba-lo para que ele chorasse e desse o ar de realismo à cena. Houve, mesmo que involuntariamente, uma doação das emoções do menino a cena. Acredito que haver grande semelhança no método Axé Acting adotado por Wagner Moura.
O metodo axé acting permite que o ator crie o personagem de uma maneira mais exagerada, muitas vezes alem do que o diretor imaginava, por isso as pessoas ficaram assustadas quando viram a interpretação do Wagner. Esse metodo incentiva o ator a arriscar mais, como se fosse melhor errar pelo excesso do que apresentar uma atuação moderada e comum. Deve ser mais facil para o diretor tirar os excessos de um ator do que ter que pedir algo alem do que foi apresentado na atuação.
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ResponderExcluirBruno Guedes Versiani 4periodo
ResponderExcluirN'ao conhecia este metodo, pelo texto deu pra conhecer pouco sobre o estilo, o que me agradou foi o fato de deixar o ator utilizar sua espontaniedade proporcionando uma realidade maior e permitindo ele utilizar de sua escencia, dando liberdade para agregar ao personagem características que nao foram impostas pelo diretor, características que muitas vezes vieram da vivencia especifica de cada ator, que muitas vezes no caso do wagner moura sao boas pois ele de fato conseguiu agradar ao diretor, mas acho que se o ator nao estiver '' respirando'' o personagem pode ser uma furada e ate atrapalhar a produção do filme.
Sem dúvida alguma, o impacto causado num ator brasileiro ao chegar em Hollywood, por mais preparado que ele esteja, provoca a necessidade de adaptação aos métodos notadamente industriais das produções de lá. Disso, a relação ator-diretor sofre conflito, por vezes produtivos, como foi o caso de Wagner Moura, de acordo com o texto. O "Vamos investir" Neill Blomkamp soa como pretensão de apropriação. Seria o "axé-acting" esse objeto de apropriação. Parece se tratar de uma espontaneidade que quebra um certo paradigma, por exemplo, da fase da leitura do roteiro.
ResponderExcluirAcho que esse tal de "axé acting" (porque colocar o nome inglês aliás?), nada mais é, do que algo que já usado, apenas explicado pelos baianos na metodologia deles.
ResponderExcluirNão é algo que eles fazem diferente, não é na Bahia que os atores fazem dessa maneira, isso vai de cada pessoa, cada ator, investir e se transformar da maneira que acha melhor para si e para o personagem. O ato de "errar para cima" também é corriqueiro e nada que veio do axé acting, vários atores tem isso que é quase uma tendência hoje em dia, não parar a cada momento de erro e sim incorporar isso ao momento e ao personagem que está fazendo.
Algo que é bom em alguns momentos, em outros nem tanto.
Sobre a relação diretor-ator é algo muito subjetivo, alguns atores e diretores simplesmente se dão bem, se entendem e acabam trabalhando muitas vezes juntos (fazendo ora trabalhos bons, ora medíocres), também existem aqueles atores que não se dão bem com o diretor (não sendo necessariamente um mau relacionamento, não sendo apenas grandes amigos), mas que nem por isso, afeta-se os trabalhos produzidos por eles, podendo ficar inclusive melhor do que o trabalho dos dois mais "amigos".
O que vale é o trabalho e o personagem do momento, como ator e diretor se dão e se envolvem com o roteiro que estão trabalhando e somando a isso tudo, esse envolvimento entre os dois é que se vai chegar a conclusão do quão essa relação será definitiva e envolvente para a obra que será produzida.
Wagner surpreendeu o diretor com sua atuação, não era o que o diretor queria, mas ele foi tão bom, tão dramático que assustou a todos, inclusive o diretor, que resolveu investir nele. O diretor usava seus metodos, mas com a atuação de Wagner ele investiu em mais metodos, jeitos e formas de atuação. A relação entre os dois foi melhorando e cada vez mais entendendo o formato de atuação que o diretor queria e o ator se encaixando ao personagem, com maneiras diferentes de atuações que ele ja vinha trabalhado. Jessica Marques Vasconcelos- Cinema 4 periodo. manha.
ResponderExcluirAdoro os trabalhos do Wagner Moura acho ele incrível em cada personagem. Não conhecia este método "axé acting" ... isso mostra mais uma vez que o Brasil tem grandes Atores verdadeiras estrelas que estão sendo reconhecidas pelos mundo não só em filmes Nacionais mas em filmes Internacionais,sendo escolhido para atuar. Mas uma vez Wagner Moura mostrou a sua capacidade.
ResponderExcluirO choque de cultura e métodos resultaram na melhor construção do filme, a abertura que o diretor deu ao ator, ajudou. Há diretores que são mais rígidos com os métodos para o filme sair conforme o planejado.
ResponderExcluirFernanda de Sena
Para mim, um bom líder, é aquele que tem mente aberta e está aberto a receber novas ideias, pois sabe que ele não tem a verdade absoluta. Por isso gostei muito da parte em que o diretor disse "Não era nada disso que eu queria", mas complementou com "Gostei, vamos investir". Um bom diretor, para mim, tem que estar aberto à visão do ator sobre o personagem, pois tendo uma segunda visão, se pode chegar à um resultado final muito melhor do que ao que ele pensava. Não estou dizendo que ele tem que aderir todas as sugestões de seus atores sobre o personagem, mas tem que estar aberto a avaliar se aquilo é válido ou não. Querer trabalhar somente com o que "EU PENSO" e "EU QUERO" é ignorância e burrice, pois o cinema é um trabalho em conjunto, e não individual.
ResponderExcluirEssa questão de "exagerar", "errar pra cima" é uma grande arma na mão do ator. Pode servir tanto para dar um tiro rumo ao estrelato quanto um tiro no pé. Não acho que tomar o tal axé acting como uma metodologia seja o ideal para qualquer ocasião. Cada produção pede um tratamento diferente. Assim como a liberdade concedida ao ator para construir seu personagem vai variar de diretor para diretor.
ResponderExcluirAcho que faltou explicar melhor o que seria o "Axé acting" (que nome feio por sinal hein?!). Admiro muito o Wagner e confesso que assisti o filme somente para ver sua atuação, que por sinal foi muito boa, não deixando Matt Damon o ofuscar. O diretor tem que estar preparado para aceitar dicas do atores e não somente o dirigir. Tudo é relativo se tratando de cinema, há coisas que não se aplica uma metodologia, e isso é uma ponto positivo no Blomkamp.
ResponderExcluirAchei interessante a postura adotada por ambos, tanto por Wagner quanto pelo diretor que aceitou e deu abertura para a ideia de wagner. Muitas vezes faltam aos diretores escutarem os atores que por vias tem muito a acrescentar ao personagem
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