Por Leonardo Rodrigues
- UOL -
15/10/2013 - 11h31
Três anos após seu último trabalho cinematográfico, o filme "Boca",
Daniel de Oliveira está novamente em evidência na série "Latitudes"
--projeto "transmídia" do diretor Felipe Braga, com versões na internet,
TV e cinema.
Em breve, o ator vai aparecer ainda mais. Ele acaba de voltar de uma
temporada de dois meses em Belém (PA) e nas ilhas próximas à cidade,
onde gravou "Orfãos do Eldorado", adaptação cinematográfica da obra
homônima do amazonense Milton Hatoum. Também está nos planos a série
"Doce de Mãe", com direção de Jorge Furtado e Fernanda Montenegro como
protagonista.
No longa de Guilherme Coelho, que também tem Dira Paes e Mariana Rios
no elenco, Daniel encarnará o protagonista, o anti-herói Arminto
Cordovil, um herdeiro de antigos barões da borracha que é expulso de sua
cidade após viver uma relação incestuosa com a irmã.
Já em processo de edição, o filme deve estrear no final do ano que vem. Veja a entrevista concedida pelo ator ao UOL.
Como foi sair do eixo Rio-São Paulo e filmar "Órfãos do Eldorado" no Pará?
Foi maravilhoso. Para começar, eu fui de carro para lá. Do Rio até
Belém. Foram seis dias de estrada, com dois amigos, passando por Bonito,
Chapada dos Veadeiros, na Belém-Brasília. Muito legal. Já fui levando o
personagem comigo, embuído da história. Fomos filmando e fotografando
tudo. Foi uma experiência muito rica. Fizemos uma preparação para fazer
um filme bonito para caramba, com participação do Milton Hatoum.
O que esse tipo de experiência acrescenta a você como ator?
Acrescentou muita coisa. Na verdade foi um filme muito louco, porque a
gente não começou filmando do começo. Eu estava com uma barba enorme, e
tinha que aproveitar a barba para marcar as fases do personagem, que
passa por várias. Usamos todo um sistema para o envelhecimento da minha
pele, de transformação física do personagem, o que influenciou no
comportamento também. Acho que foi rico. O personagem do roteiro era uma
coisa, e a gente viu que, na prática, havia outras nuances. Aprendi um
pouco também nesse sentido.
O Arminto mistura as concepções clássicas de vilão e mocinho?
Mistura um pouco. Ele é o anti-herói mesmo. Um cara que não é
previsível. É complexo para caramba. Dentro dele, ele aponta para muitos
lados. Ele se transforma em muitos personagens em um só, o que traz
muitas possibilidades para a atuação.
A série "Latitudes" está chegando ao fim na internet nesta semana, como surgiu a ideia?
Foi uma ideia que tivemos em conjunto, o Felipe e a Alice Braga, de
mostrarmos a evolução de um relacionamento a partir de encontros em
várias cidades do mundo. O casal vai resolver assim seus problemas de
relacionamento, se conhecendo um pouco mais. Foi incrível.
Primeiramente, a gente viajou para caramba, e isso é muito bom. E atuar
com a Alice Braga foi excelente. Tinha vontade há muito tempo de
contracenar com ela. Tivemos que pensar em logística, no descolamento, o
que foi difícil, pois fazíamos várias funções de produção.
No ano passado, você se separou da atriz Vanessa Giácomo,
depois de oito anos. Isso te fez enxergar o relacionamento do personagem
de alguma outra forma?
Acho que sim. Até porque a gente vai aprendendo muito ao longo da vida,
com todas as experiências. A gente aprende muito com as histórias que a
gente faz como ator, e também com o que a gente vive na vida real.
Somos sempre mutantes. Cada experiência ajuda a alterar nossas visões de
mundo.
(...)
Prezada(o)s, comentem o processo de criação, construção, desenvolvimento e, ao final, o resultado da interpretação de Daniel de Oliveira
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Eu acredito que, acima da técnica, o que caracteriza um bom ator é sua própria vida. Se ele adquire em sua vida secular sensibilidade, ele consegue enxergar melhor seus personagens. O Daniel, com certeza entrou numa experiência e a atuação veio em cima disso.
ResponderExcluireu penso o seguinte, a criatividade e a singularidade que o ator cria com a personagem o torna único e especial criando assim uma singularidade, um bom ator deve se ao esforço e apesar da criação e contrução segundaria do ator através do personagem precedido a ele.
ResponderExcluiremerson de lima
4 periodo
cinem
O Ator cria a sua forma de atuar com suas bagagens de vida tanto que como o próprio Daniel disse os atores são mutantes, tendo fator principal que é sua identificação com o personagem, imbuindo o seu feeling emocional, e a motivação para que isso aconteça. Daniel sendo o ator que é, com segue fazer isso com muita maestria.
ResponderExcluirO ator Daniel Oliveira é daqueles que sempre tem uma carta na manga se tratando de interpretação. Ele consegue, a cada personagem novo, ser versátil. E ele sabe, com toda sua bagagem de ator, como extrair essas possibilidade de uma nova atuação, como no caso desse seu novo trabalho, sair do Rio a Belém de carro pra, ao longo do caminho, se inserir no cotidiano e na vida do personagem.
ResponderExcluirCom certeza a vivencia do ator contribui muito na construção do personagem e de certo modo a falta de linearidade nas filmagens devem ter contribuído fortemente nas nuances do personagem.
ResponderExcluirAo ler a entrevista percebemos que o ator Daniel Oliveira, no processo de construção do personagem, buscou vivenciar algo proximo do personagem para a melhor execução da interpretação. A observação que o proprio ator colocou "Para começar, eu fui de carro para lá. Do Rio até Belém. Foram seis dias de estrada, com dois amigos, passando por Bonito, Chapada dos Veadeiros, na Belém-Brasília. Muito legal. Já fui levando o personagem comigo, embuído da história. "
ResponderExcluirQuando nao se tem onde recorrer de sua vivencia para a construçao do personagem, que procuremos viver entao.
Fernanda Sena
Acho válida essa experiência vivida pelo ator. Buscar detalhes para o personagem é tão importante na hora da criação do ator quanto na criação do personagem no roteiro. Por mais bem construído e detalhado que esteja um personagem no roteiro, o ator deve ter sensibilidade para ler e saber até onde pode ir sua criação, sempre, claro, guiado pelo diretor.
ResponderExcluirEntender a complexidade do personagem e as nuances que podem ser acrescidas a ele a partir do roteiro; assumir o personagem em todo o percurso de sua composição (ilustrada pela viagem Rio-Belém feita pelo ator), tudo isso contribui para que a interpretação represente o personagem durante as filmagens fragmentadas. Daniel de Oliveira parece ter conseguido dessa forma interpretando um anti-herói histórico/fictício.
ResponderExcluirA criação do personagem foi através de uma experiência pessoal e intima, e não podia ser mais rica, uma viagem de dias pelo lugar onde iriram gravar, ele aproveitou aspectos fisicos, como comenta da baraba para compor uma das fases do seu personagem, usada para o envelhecimento, o desenvolvimento é forte por se tratar de um um anti-herói, Daniel deixa claro que existe uma ambiguidade que torna o personagem bem mais interessante por
ResponderExcluirnão ter previsões das futuras ações. As experiências pessoais foram importantes para entender pelo que o personagem esta passando, assim o resultado final da interpretação é uma interpretação verossimil, que faz com que os espectadores se identifiquem facilmente por se tratar de motivações reais encarnadas em um personagem.
Ao criar uma personagem o ator busca referências que algum dia possa ter vivido ou não. As experiência vividas sem ajudam e muito. Mas ao maior desafio nesse processo é diferenciar o que é real ou não. Não se pode deixar confundir o limite entre ator e o personagem.
ResponderExcluirAproveitar os períodos anteriores a gravação do projeto é muito interessante pois com isso o ator pode ir ao poucos entendendo o personagem que irá interpretar.
Não necessariamente um ator precisa buscar referências em experiências vividas, mas pode se perceber que neste trabalho especifico Daniel Oliveira se apoiou no fim de seu relacionamento pra a construção da personagem..
Acho muito importante ter e buscar referências.Como o próprio Daniel de Oliveira disse com o decorrer da viagem ele pode entrar no personagem, para um bom ator é isso saber entrar e sair em personagens. Está viagem com certeza fez com ele se encontrasse no personagem.
ResponderExcluirAlgo como já comentei antes em outro post, esse processo de entrar no personagem é algo muito importante para o ator e seu personagem.
ResponderExcluirAlguns atores dependem mais disso e gostam mais de trabalhar essa técnica, outros nem tanto. O mesmo ocorrendo com os diretores.
Nesse caso específico, acho que apenas ajuda, ainda mais pela descrição que o ator fez do ambiente das filmagens e de como era seu personagem no roteiro, foi algo importante e que só tem a contribuir com o resultado final.
Após ler a reportagem de Daniel, é perceptível todo seu esforço em buscar uma experiencia compatível com seu personagem para que pudesse melhor criar e dar vida ao seu personagem. Ir de carro do Rio a Belem não foi apenas uma viagem turística, e sim processo de criação de um personagem. Se o ator vai fazer um personagem cujo suas características emocionais, personalidade e vivencia não são compatíveis com sua experiencia de vida, é necessário buscar tais informações e experiencias para tornar sua atuação mais convincente. Por isso é admirável que Daniel tenha feito isso para fazer um papel bem feito. Não é atoa que ele conseguiu já de cara fazer cenas já do meio, cujo densidade emocional do personagem já estava no meio da história.
ResponderExcluirO ator usa sua experiência pessoal quando se lembra de relacionamentos que já teve e usa os sentimentos em relação a eles no seu personagem. Além disso, ele destaca a importância da caraterização física para ajudar o desenvolvimento do personagem.
ResponderExcluirO ator Daniel para criar seu personagem, ele estudou seu personagem, viveu seu personagem, e fez ate uma viagem para poder entrar mais em seu personagem, ja foi para as gravações do filme, se preparando e cuidando do seu visual para entrar mais no personagem, ele mistura um pouco com a vida real, buscando do que ele viveu para colocar em seus personagens, e ao mesmo tempo, pega do seu personagem e coloca pra a vida real, e ele obteve uma interpretação muito boa, fica mais facil para o ator, quando se estuda e vive mais o personagem, assim o personagem flui mais facil.
ResponderExcluirJessica Marques Vasconcelos, Cinema 4 periodo
Com essa viagem que o ator Daniel de Oliveira fez, ele pode chegar mais perto das mesmas experiências que o personagem que ele iria interpretar, dando maior verosimilhança a sua atuação.
ResponderExcluirHouve algo muito íntimo do ator Daniel Oliveira para a construção desse personagem, pois ele também buscou vivenciar o meio em que seu personagem estava. Isso traz muito realismo para sua atuação, pois foi preciso que houvesse uma naturalidade e comodidade maior em seu personagem.
ResponderExcluirAndrew Rodrigo Santos de Oliveira