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| Rizzo: “minha ideia é sempre transformar o personagem no homem mais comum possível” (Foto: Mário Rodrigues) |
Sem pestanejar, eu afirmo… A Noite das Tríbades está entre as cinco melhores peças que vi esse ano. Talvez entre as três. E grande parte do poder dessa comédia dramática escrita pelo sueco Per Olov Enquist e dirigida por Malú Bazan está nas mãos do ator Norival Rizzo. Paulistano mais que gente boa, Norival Aparecido Rizzo tem 62 anos e uma vida que muitas vezes parece ficção. Mas isso já foi papo de outra matéria feita por nós lá no mês de maio. Aqui, ele fala do espetáculo, que volta ao cartaz aos sábados e domingos no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura, comenta a experiência em Sangue Bom, a primeira novela na Rede Globo, e lança algumas frases que podem fazer muita gente refletir um pouco. “Aquele ator que deseja se equiparar ao Paulo Autran, por exemplo, vai ser um grande frustrado”, afirma Rizzo.
É mais difícil interpretar um personagem real, no caso o dramaturgo August Strindberg?
Olha, eu já havia interpretado o Monteiro Lobato em uma peça de 1972, lá no início da minha carreira. É claro que, para viver o Strindberg, eu procurei uma bibliografia a respeito dele. Já conhecia e reli algumas de suas peças. Ainda descobri outras. Mas, pelo menos comigo, não é assim que funciona um processo de criação. Todos os personagens que faço carregam o que trago da experiência pessoal. Deposito nesses homens um pouco da minha vivência, das minhas alegrias, das minhas tristezas e assim eu os construo. A base é o próprio texto, aquele que foi escrito por um dramaturgo e que vou seguir a cada noite. Mas a minha ideia é sempre transformar o personagem no homem mais comum possível, mesmo em se tratando do Strindberg.
Em que ponto exatamente você buscou a humanização desse personagem?
O que apresentamos é uma história ambientada no século 19, certo? E pensa bem no que aconteceu com aquele homem… A mulher o deixou por outra. Se hoje essa situação já é muito complicada para um homem lidar, então imagina o que isso significava naquele tempo? Por ser um artista, um intelectual, o Strindberg tentou alimentar um ar de superioridade. Ele quis mostrar que aquilo não lhe abateu tanto. Então, chama a ex-mulher e a amante dela, o pivô da separação, para ensaiar uma nova peça. Não tinha como dar certo. Em qualquer oportunidade, ele já fica alfinetando as duas. O resultado disso é muito legal. A ironia é o grande mote desse texto e acho que conseguimos transmitir no espetáculo.
Qual foi o saldo da sua participação na novela Sangue Bom, que acaba de sair do ar?
Foi uma experiência válida para compreender como é que funciona a televisão. Eu terminei a novela entendendo porque o ritmo e o modo de trabalho de uma novela precisam ser daquele jeito, mais veloz, menos ensaiado. Fui muito bem tratado e não posso dizer que fui mal pago. Conheci um pessoal bem legal. Tanto que alguns dos meus colegas estão se organizado para ver A Noite das Tríbades aqui em São Paulo.
Você continua aberto para fazer mais novelas?
Sim, claro. Eu passei a valorizar o trabalho de muita gente que não conhecia e também entendi as limitações de cada ator. A televisão exige de você outro tipo de talento, quer dizer um talento diferente do que daqueles que estão acostumados com o palco. E é muito legal entender que cada ator tem o seu tamanho. E um ator só é bom realmente quando sabe qual é o seu próprio tamanho.
E qual é o seu tamanho?
Eu não posso querer ser como o Al Pacino ou como o Roberto De Niro. Eles são muito maiores que a grande parte dos profissionais que conhecemos. Aquele ator que deseja se equiparar ao Paulo Autran, por exemplo, vai ser um grande frustrado. Esses caras tiveram outras vivências e oportunidades. Eu sou o Norival Rizzo e ponto. O que me importa é dar dignidade ao papel que me confiaram. Em nenhum momento, um ator pode querer ser mais ou aparecer mais que o personagem. Nesses casos, tudo fica complicado. A vida é assim. As pessoas não são iguais. Tem gente que é brilhante e tem gente que serve o café para quem é brilhante.
(...)
Prezadas e Prezados, Norival Rizzo é um excelente ator em todas as narrativas em que se aventurou-se: TV, propaganda, teatro, cinema, internet. Da fala dele, qual conclusão você arriscaria a dar sobre o trabalho do ator e o papel do diretor nele?

Bom, em primeiro lugar se o ator e o diretor forem de grande peso, e tiver briga de ego ai complica o trabalho, mas o que pude compreender na entrevista de Norival Rizzo foi que a simplicidade de aceitar o tamanho, segundo ele mesmo. Pude perceber que o Norival é tranquilo de trabalhar, pois ele respeita os outros, e os diretores que trabalham com ele devem ficar super satisfeitos. E ele como diretor deve ser super satisfatório de trabalhar, pelo que se entende nesta entrevista, que ele é um ser humano como todos os outros.
ResponderExcluirSem dúvida o principal que ele fala é sobre entender o seu tamanho, saber até que ponto você é bom e ver o que realmente pode e como pode produzir, ter um limite em mente.
ResponderExcluirIsso vai fazer com que você não seja algumas vezes, soberbo demais em algumas decisões e não dê nenhum passo ou se comprometa mais do que deve, podendo ter um resultado muito ruim.
Porém, isso tem de ser medido, pois se exagerado, pode comprometer sua autoestima e até mesmo o seu crescimento como artista, se você se enganar quanto a esse ponto e "parar" antes de atingir o seu limite.
Assim, é algo bom para se ter em mente, mas não pode se limitar a isso e deixar-se alguma vezes levar pela ideia de que sim, você pode mais.
Achei interessante na última resposta dele sobre a questão de respeitar o seu "tamanho", pois isso me trouxe a memória as duas ultimas aulas que o professor Claudio deu, sobre como é bacana um ator ter a humildade de entender quando o papel vai além de sua capacidade, ou seja, quando ele respeita seus limites de atuação. É claro que isso não pode ser também usado como desculpa para falta de ambição, mas que é preciso ter bom senso em suas audácia profissional.
ResponderExcluirEnfim, sobre a sua pergunta, concluo que o trabalho da ator é buscar o máximo de referencia possível para entrar no papel (como o próprio ator fez em buscar sobre a vida e trabalhos do dramartugo), dar tudo de si para entrar no papel e corresponder as expectativas do diretor, mas é claro ser sincero consigo mesmo e com o diretor sobre suas limitações, para que juntos cheguem a uma solução. Sobre o papel do diretor, é dar todo o apoio ao ator, guiá-lo na atuação, a fim que corresponda as espectatívas da proposta de seu produto audio-visual.
Na entrevista ,Norival Rizzo ele diz que "Em nenhum momento um ator pode querer ser mais ou aparecer mais que o personagem", ai está a diferença dele, ele está ali para fazer aquele papel e nada mais o que importa é mostrar a personalidade do personagem e não a dele, mostrar que ele é capaz de enfrentar os desafios.
ResponderExcluirNorival Rizzo é um ator que não tenta ser maior do que precisa ser. Pelo seu trabalho e depoimento é fácil notar a diferença nas intenções de Norival comparada a atuação de muitos atores. Como ele mesmo disse, a partir da leitura do texto ele busca construir um personagem com o perfil de uma pessoa o mais comum possível. Por mais que esse método possa não ser aplicado em todos os casos, já é uma vantagem sobre os atores que buscam criar seres extraordinários a partir dos personagens mais simples. Dirigir Rizzo deve ser prazeroso, já que o ator se mostra disposto a estudar e alimentar as informações a respeito de seu personagem.Isso pode acrescentar mais confiança e cumplicidade ao trabalho do diretor.
ResponderExcluirNorival é um grande ator, que estuda o seu personagem antes de atuar, mas de uma forma diferente, ele cria seus personagens, ele inspira mais na vida real dele para inspirar nos personagens, do que na vida do personagem, então Norival pega sua vida e coloca no personagem, e ele comenta que o diretor de televisão é muito diferente do diretor de teatro, o diretor de televisão exige de uma forma na qual se é muito diferente no teatro.
ResponderExcluirJessica Marques Vasconcelos.. CInema 4 periodo.
Ele é incrível e fez trabalho impecáveis, creio que o que mais o aproximou da perfeição foi entender, estudar, refletir e analisar cada personagem com minúcia. E isto é encantador até mesmo porque a mídia capitalista da televisão e dos filmes não permite mais aos atores o poder e a extrema necessidade do tempo necessário para se disporem com seus personagens escolhidos.
ResponderExcluirMuito bem colocada a questão dos tamanhos... Cada ator, sim, deve entender e respeitar suas próprias limitações e também as dos outros.
ResponderExcluirE muito interessante o fato dele comentar também que cada tipo de trabalho exige um tipo de talento especifico. Cinema, TV e teatro cada um tem suas peculiaridades e o ator deve estar preparado para aquilo, cada um terá mais facilidade com um tipo de trabalho.
O diretor deve estar ciente de tudo isso para que ele possa respeitar o ator e vice-versa.
Bom como ele mesmo falou o papel dele como ator é apresentar uma dinâmica que favoreça sua fluidez durante a transição entre personagens de diferentes mídias. No teatro ele busca se aprofundar mais, conhecer mais aquilo que esta prestes a viver, na tv como é um processo que deve ser mais rápido , não se tem muito tempo para criar é preciso pensar rápido, e ai ele disse uma coisa muito interessante, a experiência pessoal pesa nessas horas. Quando lhe é apresentado um personagem para uma novela, é preciso em curto tempo conhecer aquele personagem e naturalmente com a experiencia vem a caracterização ou a impressão para o personagem. O papel do diretor é fundamental para indicar essa bagagem que o ator tem durante uma vida de trabalho, assim o diretor pode vir pra equilibrar todo o conhecimento e ajudar a aplicá-lo ao personagem, afinal o diretor quem sabe como deve ser aquela atuação, mas o ator deve ter o seu espaço para agregar o seu conhecimento e experiência ao projeto, independente das mídias e fluxo de produção das mesmas o ator e o diretor devem ter um trabalho conjunto, mas sem que um interfira no espaço do outro.
ResponderExcluirÉ importante que cada ator saiba de suas limitações para que na hora de interpretar o personagem, a atuação seja natural, como propõe a TV. O próprio ator disse da diferença e necessidade que cada veículo pede, o que também é importante para eles saberem como atuar em diversos meios. Percebi tbm, pelas postagens feitas aqui no blog, que o Norival Rizzo e outros atores, acabam usando o mesmo método, - claro que cada um com sua especificidade - de buscar a criação para interpretar os personagens em suas experiência pessoal e vivência.
ResponderExcluirÉ importante ter humildade. O ator reconhecer seu papel no set dentro da estrutura da qual participa, seja em qualquer tipo de produção, é importante até mesmo para ter liberdade em "criar" seu personagem. Seja no teatro, na tv, no comercial, ele deve reconhecer as características que cada um desses meios exige para a dinâmica da captação. Compreender suas próprias limitações e as limitações da proposta. Deve ser dinâmico e aberto, conhecer vários métodos para que sua atuação seja eficiente.
ResponderExcluirCom todos os anos de experiência em atuação Norival Rizzo já criou para si um próprio método para entrar no personagem que irá interpretar. Outro ponto que me chamou a atenção foi a forma como ele lida com o seu trabalho, ele não é ``estrelinha``, ele entende que cada um tem seu devido lugar e perceber isso é o melhor a se fazer.
ResponderExcluirAo saber seus limites, o ator tende a ter uma melhor relação entre o trabalho e a vida pessoal, nao misturando sentimentos fortes que veem à tona no set. Apesar dos mesmos serem resultado da extração de sentimentos de uma vivência intima.
ResponderExcluirFernanda de Sena
Em qualquer meio em que se há um trabalho em equipe, a humildade é muito importante no momento, pois todos que estão ali tem funções importante. É importante que o ator saiba reconhecer isso, além de criar um clima melhor no set, e ficar sempre aberto à novas propostas e métodos de atuação.
ResponderExcluirAndrew Rodrigo Santos de Oliveira