Há
uma certa ideia de que a dramaturgia na televisão deva ser naturalista.
Isto é, que os atores devam representar da forma mais próxima possível
da vida real, sem grandes arroubos emocionais, sem exageros na
gestualidade ou na expressão corporal. Clandestinos - O Sonho Começou,
série escrita e dirigida por João Falcão que, desde a semana retrasada, a
Globo exibe, reduz a poeira esta concepção.
Como a televisão trabalha muito com planos fechados e closes, faz sentido pensar que a ênfase dramática do teatro - visto de longe por dezenas de pessoas - tenha de ser abrandada. E, já que na TV a maior parte do corpo desaparece na maioria das cenas, a expressão corporal precisa ser mais leve.
Daí as cenas televisivas serem bastante estáticas - à exceção das externas de ação. E, por isso mesmo, há tantas cenas à mesa em novelas. Mesmo o mais miserável dos personagens toma café da manhã de hotel cinco estrelas. Com todo mundo em volta de uma mesa de cozinha, a movimentação fica reduzida e os diálogos podem transcorrer sem maiores problemas de deslocamento de câmeras e de enquadramentos.
Clandestinos é a história de jovens interessados em participar de uma peça teatral e que se submetem a um teste classificatório implacavelmente curto. Pelo tema, que permite planos gerais que exibem todo o corpo dos personagens no palco e pela faixa etária dos atores em papéis de jovens, é possível uma atuação mais carregada. O que, em outros contextos, tornaria-se "overacting".
A presença de novos atores, formados por uma escola tão diferente das oficinas de atores de TV, também imprime diferenças na maneira de ser e de agir destes 17 novos talentos, entre eles, as gêmeas Giselle e Michelle Batista.
João Falcão reconta essa velha história do teatro, a do aprendiz e seu sonho de reconhecimento e estrelato, que pode ser encontrada em peças famosas como Odeio Hamlet, e filmes conhecidos e tão diferentes entre si quanto Cantando na Chuva e Fama. E até mesmo o programa de TV Ídolos.
De certa forma, Clandestinos retoma para a ficção o que o reality show havia roubado: o retrato do artista quando jovem, sua intensidade emocional e a explosão, em poucos minutos, do esforço da formação, da vivência e da paixão de um ator. Em recente depoimento, o ator Diogo Vilela reiterava que o teatro não é uma imitação da vida, mas matéria-prima feita na hora. Algo dessa força vital acaba de ir para TV.
Prezadas e Prezados, dêem suas impressões ao ler a notícia e sua opinião sobre a questão da 'naturalidade' da TV.
A minha impressão ao ler esse texto é que o estilo de atuação da TV esta mudando, de uma maneira calma, mas mudando, mostrando mais expressão corporal, planos mais abertos, mudança de cenários, novos estilos de gravação, buscando novos atores em novos lugares com novos estilos de atuação. Sobre a naturalidade da TV que eu entendi foi que agora a TV esta adquirindo o estilo de atuação que eles utilizam no teatro que é a materia prima feita na hora.
ResponderExcluirJessica Marques Vasconcelos. Cinema 4 periodo.
Claudio ainda vejo uma grande dificuldade dos atores teatrais de se representarem em frente as câmeras e ao falar de câmera me refiro a todos os meios, sendo televisivo, web entre tantos outros.
ResponderExcluirAs vezes me questiono onde estaria a maior " defasagem", se é nas bases ou nos desenvolvimentos. No teatro a todo momento a apresentação é forçada à nuances performáticas com um certo exagero. Ao Fala de aproximar a representação do ator com a realidade vejo que talvez não seja um dos melhores métodos a serem acolhidos, as mídias começam a se encher das mesmas categorias, estilos e representações, nos causando assim uma monotonia de qualidade.
A cada dia que passa creio que estas atuações se equiparam as grandes produções americanas, onde o produto responsável acredita que deve sempre guiar o seu público ao desejo de igualdade pelos gostos.
Volto ao questionamento sobre as performances e acho que é sempre válido o exagero e o encontro com a realidade, mas esta avaliação deve ser feita bem antes de ser criada, muitas mídias e informações causam um enjoo no telespectador.
Eu não me importaria de ver um ator exagerado em um filme ou na TV, desde que tivesse o seu devido lugar, como também personagens que se portam bom próximos da realidade. Um bom exemplo que vejo disso é o personagem " Felix" da novela das nove da emissora Rede Globo, um papel tanto quanto astuto bem próximo de uma realidade no qual o ator fere suas relações, princípios e desejos para o agrado da sociedade, quando ao mesmo tempo o mesmo é obrigado a se passar como o mais vilão de todos os tempos, o qual não teria nenhum princípio familiar perante todos.
Na vida "real" as pessoas são tão caricatas, por que na ficção elas tem que ser "naturais"?? A naturalidade é uma coisa muito subjetiva. Em certos momentos e certos personagens como por exemplo, o Cabeção de uma das temporadas de "Malhação" a extravagancia é tida como algo natural. Pra mim as novas escolas de direção são necessárias e simbolizam um avanço para a teledramaturgia. A atuação não deve ser definida como natural e sim como real.
ResponderExcluirAinda existe uma diferença entre os atores de tv e os teatro. Os atores de teatro na tv aparentam ter mais dificuldade em ver que não precisam exagerar nas falas. Mesmos sabendo que estão atuando alguns conseguem sim fazer com que os vejamos como o personagem, mas outros você vê que estão atuando. Acho que sempre vai existir uma dificuldade ... Mas que ao poucos a Tv está se adequando para conseguir ser mais real possível ,natural.
ResponderExcluirA atuação tem que representar para o ator, não somente a ideia de interpretar um personagem, mas também explorar seu corpo e suas ações. A atuação é um modo de se conhecer melhor também. Obras que permitem isso são vantajosas e instigantes também.
ResponderExcluirEu vi uma entrevista interessante de duas atrizes da série Skins (3ª e 4ª temporada) que são gêmeas e eles diziam que se compreenderam melhor após participar da série.
Uma concepção de naturalidade é subjetiva, pois a conclusão do trabalho de um ator com o seu personagem. Mas como o público que vê a conclusão do trabalho, tem a sensação de está vendo si próprio em alguma situação, claro que á uma porcentagem muito grande de pessoas que acreditam que aquele ator tem uma boa atuação pelo seu carisma. Bem, eu vejo que as vezes trazer uma realidade, que podemos chamar de criação enquadrada, e no teatro não tem esse enquadramento, e a TV está se reinventado trazendo uma mistura já existente dos meios midiáticos, dando uma forma de desenvolver uma nova leitura para não ficar no obsoleto.
ResponderExcluirProgramas ficcionais de TV tentam criar reconhecimento do público com cada personagem da trama, por isso a naturalidade é essencial, não somos performáticos no nosso cotidiano. A identificação só é gerada, quando podemos ver um pouco de nós no personagem (ou trama) e a forma de alcançá-la é fazendo com que os atores ajam naturalmente, claro, adequando ao contexto da personagem (algumas são necessariamente caricatas)
ResponderExcluirAcho totalmente válida e correta a questão levantada e explicada no artigo, a TV pede que seja menos exagerada a interpretação do ator, o overacting acontece muito fácil e muitas vezes.
ResponderExcluirDeve-se haver esse controle.
Não gostei da série um pouco por isso, quis ser "inovador" de alguma forma e o resultado por não se preocupar com o exagero, foi um trabalho ruim no final.
A TV com seus movimentos limitados que chegam a uma quase inexpressividade age dessa forma, por assim dizer, por não há outro modo. Não há de certa forma liberdade para os atores atuarem como quiser, mas acredito que isso de certa forma traga uma aproximação maior da ficção com a realidade, ainda que não seja essa a proposto do emissor.
ResponderExcluirAs expressões carregadas, tipicamente teatrais, trazem uma exaustão e visual e as vezes até desconforto, pela riqueza de detalhes e planos mais fechados que a TV possibilita através das lentes.
Por mais que a série "clandestinos" traga essa proposta do espontâneo, do livre, o overacting deve ser evitado afim de não correr risco de ultrapassar a linha tênue entre o livre e o bizarro.
Minha Impressão, é que realmente existe uma enorme dificuldade em transpor atores de teatro para cinema ou tv, mas acredito que a bagagem que os atores teatrais carregam são muito importantes para qualquer trabalho, seja ele no palco ou para câmera. O problema principalmente para diretores e atores iniciantes é em trabalhar verdadeiramente a proposta, trabalhar para que tanto o ator entenda que ele está atuando para a câmera, quanto para o diretor entenda que ela está trabalhando com um ator experiente em teatro. Em experiência no TIDIR pude comprovar o nível de dificuldade para o ator não exagerar nos trejeitos e o tom de voz, mas em muitos casos os atores com sua experiência puderam contribuir muito além do que o imaginável. Acredito que o maior problema de algumas cenas de novelas não sejam a falta de corpo do ator ou de trejeitos, seja a monotomia que o próprio público tem com novelas, precebo que é um público pouco intrigante porém muito exigênte, mas exigênte no pior sentido, porque prefere o clichê de sempre, do que uma novela que traga algum diferente, assim como as novelas são produzidas a partir da avaliação do público, um público bem acomodado com "o de sempre", fica difícil para qualquer profissional trabalhar em cima de algo mais concreto no projeto. Mas não vejo que seja um tremendo impecílio trabalhar com atores de teatro em cinema ou TV, tudo vai depender da proposta, em cinema pode-se ser mais livre, mas em TV, não tem muito jeito, tem que ser predominância de público mesmo, de repende se um dia o atual público de novelas se cansar do clichê e pedir algo mais interessante, poderemos ver trabalhos mais formatados em todos os sentido, principalmente interpretação,falo isso porque gosto muito de novelas, mas no momento pouco coisa tem me chamado a atenção, pouca coisa mesmo, e geralmente o que me chama a atenção não tem recordes de audiência, também gosto muito do elenco em geral de atores do Brasil, pra mim são um dos melhores, porém ficam presos em casas de pessoas que se assustam ao ver algo fora do comum, mesmo que seja um projeto muito bom, essas pessoas recusam esse tipo de abordagem. Pena!
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ResponderExcluirMais que naturalidade, é necessário em TV a verossimilhança. O público precisa se identificar com o que está assistindo de alguma forma. Claro que o fato dos enquadramentos mais fechados na telinha dizem mais da intenção do realizador com a narrativa que ele pretende contar. Imagine agora, com o tamanho da "telinha" estar crescendo... não seria possível então passar a se explorar mas o corpo do ator, as possibilidades de interpretação e enquadramentos de uma ação? E mais, quando falamos dessas características sedimentadas em TV, não estamos esquecendo, por exemplo, das novas séries de canais fechados e de filmes feitos para essa mídia, especificamente? No fim das contas, vai depender da proposta do realizador. A atuação e a forma de mostrá-la só precisa coincidir com sua proposta. Porque, me parece, tá valendo de tudo!
ResponderExcluirSim, acredito mesmo que na tv se deve procurar ter uma atuação o máximo natural possível. Acredito que os produtos dramáticos expostos pela tv se torna muito mais próximo do espectador (devido a possibilidade dele manipular o que se vê, pelos planos e closes) do que o teatro, e isso faz com que o mesmo se torne mais sensível em perceber o real do falso. E o que sustenta a tv é justamente cumprir a promessa de convencer o espectador de aquilo é real, para que assim o mesmo possa se identificar e se envolver com o produto televisivo. É essa identificação que cria a fidelidade do público.
ResponderExcluirÉ claro que isso não isenta a possibilidade de vir com uma atuação mais exagerada, mas desde que isso respeite a proposta do projeto.
As series TV tem o compromisso com a verossimilhança, o que talvez seja uma dificuldade para alguns atores que vem do Teatro. Mas é necessario para que o publico se identifique.
ResponderExcluirComo o próprio autor do texto diz, a naturalidade na atuação para a TV vem de uma herança do próprio cinema clássico, que enfatizava o rosto dos atores, assim diminuindo a expressão corporal
ResponderExcluirFernanda de Sena
como a série Clandestinos trata de atores de teatro em uma peça de teatro, a atuação ``exagerada`` é totalmente justificada, se enquadra na proposta. A forma de atoar normal da TV, sem grandes gestos, não encaixaria em uma proposta que queira retratar a vida de atores de teatro, como também uma interpretação cheia de gestos n caberia em uma cena com planos fechados.
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ResponderExcluirÉ necessário que haja uma uma interpretação mais natural no meio televisivo, embora que, com ela, se trabalhe mais com planos fechados e closes. A questão do teatro são os gestos e movimentos exacerbados para um público ao vivo. Na televisão isso muda, são telespectadores, há uma limitação visual ali proposta, e para isso é preciso que haja uma redução de movimentos ou, que eles sejam mais sutis. O trabalho de um ator de teatro para cinema e televisão deve mudar bastante, pois o exagero do teatro pode parecer artificial e falseado demais numa tela, tanto quanto uma atuação mais discreta possa parecer ruim no teatro.
ResponderExcluirde: Andrew Rodrigo Santos de Oliveira
Esse projeto se torna muito interessante por mostrar, no meio televisivo, atores interpretando sem a necessidade de se adequar ao estilo televisivo de atuação, mostrando ao mesmo tempo uma dicotomia e uma mescla de estilos.
ResponderExcluirÉ interessante perceber a diferença, já que os atores de teatro precisam se colocar de forma muito mais incisiva e gestual (já que os espectadores se encontram em proximidades diferentes do palco, sua voz não está sendo gravada para ser reproduzida em caixas de som, etc.) e os de televisão não. É muito fácil perceber essa diferença quando fazemos as gravações de TIDir, e alguns personagens acabam ficando exagerados por conta dos estudos e costumes dramáticos do ator, que são para outro tipo de meio.